quarta-feira, 25 de julho de 2012

Adeus, Brother

Fomos visitar – Sionei Leão e eu – o Brother na tarde do último domingo. Levamos a ele o abraço dos colegas da Cojira, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal, da qual o Brother também era membro.

Saímos de lá muito tristes com o estado físico do grande amigo. Vivenciamos um momento muito impactante, especialmente diante de uma situação que revelava seu estado extremamente frágil.
Nos impressionou a garra, dedicação e carinho com os quais a sua ex-esposa, a Marisol, o cuidava com o apoio do filho Pedro Akil, Apesar de todos os diagnóstico em contrário, Marisol ainda alimentava uma esperança muito forte de que o Brother conseguiria se recuperar e voltar ao nosso convívio.

O Sionei se prontificou a levar um grupo de espíritas para orações, no que a Marisol abriu seu grande sorriso. “Tenho certeza que ele vai sobreviver. Com a ajuda de todos”, disse, agradecendo.
A Marisol, como todos os amigos sabem, é angolana e desde os primeiros momentos vinha acompanhando o tratamento do Brother. Por duas vezes veio de seu país para se dedicar a ele. Com muitas dificuldades, pediu licença de seu emprego na TV estatal em Luanda. Era para passar 45 dias, mas à medida que o estado do Brother piorava ela ia renovando a licença. Além do apoio aos dois filhos do casal, Marisol demonstrou ser um grande ser humano enfrentando todas as dificuldades para tentar salvar a vida do ex-marido.

É bom registrar ainda que muito amigos se mobilizaram em apoio à família e em visitas no hospital e em casa. Mas também houve quem se esquecesse do nosso querido Brother. Parte da diretoria da entidade onde ele exerceu seu último emprego demonstrou ser totalmente insensível à dor de um ser humano. Mergulhada numa burocracia institucional e num descaso político, a entidade perdeu a oportunidade de demonstrar aos olhos de seus filiados, funcionários e todos os militantes do movimento sindical de Brasília que realmente valoriza o trabalhador e a vida. É sintomático.
Tenho certeza que o Brother morreu feliz. Apesar da dor intensa e das limitações que a doença lhe impunha, Brother manteve sua alegria até o último momento. Naquele último domingo só lhe deixou chateado o fato de o seu Flamengo ter perdido para o Cruzeiro. Sionei e eu assistimos com ele o primeiro tempo da partida.

Para quem conheceu o Brother de perto, sabe que ele soube viver e viveu intensamente a vida. Boêmio, sambista, compositor do Pacotão, o bloco carnavalesco da imprensa que fez história em Brasília, Wilson Miranda com certeza deve estar agora abrindo seu sorrisão para São Pedro e pedindo passagem.




2 comentários:

Mirian Macedo disse...

Para um repórter como Wilson, soaria estranho que ninguém informe de que morreu o sujeito de quem se noticia a morte. Afinal, de que morreu Wilson?

João Negrão disse...

OLá, Mirian. Realmente, uma falha jornalística, vamos dizer assim.
Ele morreu de câncer. Foi muito triste, um sofrimento horrível. Ele descansou.
Abraços