segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Investimento externo cresce no Brasil em ano de queda global




O fluxo de investimentos externos diretos cresceu 20,6% no Brasil no ano passado, segundo dados de um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Unctad (órgão da ONU para Comércio e Desenvolvimento).


O resultado positivo no Brasil contraria a tendência observada na maior parte dos outros países. Globalmente, o fluxo de investimentos externos diretos (IED) caiu 21% no ano passado em relação ao ano anterior.


Após um montante recorde de investimentos em 2007 (US$ 1,8 trilhão), o fluxo internacional de IEDs se contraiu para US$ 1,4 trilhão no ano passado, como conseqüência da crise econômica global.


Segundo a Unctad, "uma nova queda nos fluxos de IEDs deve ser esperada para 2009, conforme todas as conseqüências da crise sobre os gastos de investimento das corporações transnacionais continuarem a aparecer".


O aumento no fluxo de investimentos externos para o Brasil no ano passado ficou acima da média verificada nos países em desenvolvimento (3% de aumento) e também da média dos países da América Latina e do Caribe (12,7%).



Ricos atingidos


O relatório da Unctad observa que, ao contrário da última grande crise financeira internacional, em 1997, as economias desenvolvidas são as que mais estão sofrendo na atual conjuntura.


"Os países desenvolvidos já foram atingidos, enquanto os efeitos da crise sobre as economias em desenvolvimento têm sido até agora indiretos na maioria dos casos, com graus variados de severidade", diz o documento.


Segundo a Unctad, "nas economias em desenvolvimento e em transição, as estimativas preliminares sugerem que os fluxos de IEDs têm sido mais constantes, apesar de que o pior impacto da crise econômica global ainda não tinha sido, até o fim do ano, totalmente transmitido para esses países".


Os Estados Unidos, principal epicentro da atual crise mundial, sofreram uma redução de 5,5% nos investimentos externos no ano passado.


Na Grã-Bretanha, outro país que tem sido bastante atingido pela crise, o fluxo de IEDs caiu 51,1% no ano passado, acima da queda média verificada nos países europeus (32,7%).



Políticas públicas


Segundo a Unctad, as políticas públicas terão um papel importante no estabelecimento de condições mais favoráveis para os fluxos de IEDs.


"Reformas estruturais com o objetivo de garantir mais estabilidade no sistema financeiro mundial, estímulos econômicos rápidos e efetivos de governos nacionais, um compromisso renovado em favor de uma atitude aberta em relação a IEDs, a implementação de políticas visando favorecer o investimento e a inovação – especialmente nos campos de meio ambiente, novas fontes de energia e pequenas e médias empresas – são questões-chave", afirma o órgão.


Para a Unctad, a atual crise pode assim se tornar uma oportunidade para o incentivo aos IEDs, mas o órgão adverte que isso somente ocorrerá se os governos resistirem às pressões por mais protecionismo e por outras medidas que restrinjam os investimentos externos.
Fonte: BBC Brasil

Jornalista que jogou sapatos em Bush pede asilo na Suíça




Defesa afirma que repórter da sapatada, detido no Iraque, corre risco de vida


O jornalista iraquiano que tentou agredir o presidente americano George W. Bush, Muntadhar al-Zeidi, pediu asilo político na Suíça. Para o advogado que cuisa do caso, Mauro Poggia, o iraquiano Al Zeidi está correndo " risco de vida ".

Al-Zeidi tentou acertar Bush com seu sapato no dia 14 de dezembro, durante a última conferência do presidente americano no Iraque. O jornalista foi preso e está aguardando seu processo por tentative de agressão contra um líder estrangeiro.

Pela tradição no mundo árabe, mostrar a sola do sapato é um ato de desrespeito a uma pessoa."Isso é um beijo de despedida, seu cachorro", afirmou o jornalista, atacando a política de Bush e a invasão que ocorreu em 2003.

Em Genebra, o advogado relevou que a família do jornalista entrou em contato com ele há poucas semanas pedindo ajuda para obter o asilo político dos suíços. Segundo ele, Al-Zeidi foi torturado na prisão e foi duramente agredido. Para o advogado, é a vida do jornalista que corre perigo agora. Poggia conta que o iraquiano teve seu braço e costelas quebradas, além de hemorragia interna.

"Sua vida pode se tornar um inferno", afirmou Poggia. "Já em Genebra, ele pode tranquilamente trabalhar como correspondente nas Nações Unidas", disse. Na sala de imprensa da ONU, as opiniões divergiam sobre o comportamento do jornalista. Enquanto muitos apoiavam sua ira contra Bush, outros apontavam para o erro de tentar agredir alguém que estava dando uma conferência de imprensa.

Para Poggia, mesmo depois de cumprir sua sentença no Iraque sobrevivendo à tortura, o jornalista não teria como continuar trabalhando no país. Al-Zeidi se transformou em herói para muitos, mas seu advogado teme ações por parte de extremistas. Poggia conta ainda que está redigindo uma carta ao Ministério de Relações Exteriores da Suíça para formalizar o pedido de asilo.

Em Bagdá, o processo contra o jornalista continua em um impasse, já que os promotores não sabem se acusam Al-Zeidi por agressão ou insulto contra Bush.
Fonte: Estadão

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Divergências entre Hamas e Israel impedem cessar-fogo em Gaza


O grupo radical islâmico Hamas, que domina a faixa de Gaza, rejeitou, nesta sexta-feira, as condições impostas por Israel em uma contraproposta para um cessar-fogo no território palestino. Nesta quinta-feira, a negativa foi dada por Israel, ao rejeitar proposta de cessar-fogo do Hamas com duração de um ano --porém renovável--, em troca da retirada das tropas israelenses de Gaza no prazo de uma semana e da abertura das fronteiras.


Israel não aceita um prazo para o cessar-fogo e exige que os postos fronteiriços sejam devolvidos para o secular Fatah, do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas.
A ofensiva militar israelense em Gaza já dura 21 dias. Neste período, aproximadamente 1.100 palestinos morreram e 4.000 ficaram feridos. Entre os israelenses, os mortos somam 13.


Nesta sexta-feira, Khaled Mashaal, líder do Hamas exilado na Síria, recusou a proposta e reiterou que os militantes não deixarão de atirar foguetes contra Israel enquanto o Estado mantiver o bloqueio que impõe, atualmente, a Gaza.


Mashaal pediu que os líderes árabes reunidos nesta sexta-feira em conferência em Doha apoiem suas exigências e cortem os seus laços com Israel. "Mesmo com as destruições em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel por um cessar-fogo, uma vez que a resistência em Gaza não está derrotada", afirmou Mashaal.


De acordo com a Liga Árabe, a reunião em Doha não conseguiu obter o quórum mínimo de 15 participantes --a instituição tem, no total, 22 membros. Os ausentes integram grupo que aposta em uma reunião marcada para a semana que vem, no Kuait. "A situação árabe está caótica e isso é lamentável", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.


Os diálogos começaram nesta sexta-feira com expectativa de evolução, depois de o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, ter dito acreditar que a ofensiva está em seu "último ato". O dia foi marcado ainda pela chegada de Shalom Turgeman, conselheiro próximo do premiê de Israel, Ehud Olmert, ao Cairo.

Bush: farewell y los sollozos


Parece que minha vida é dizer adeus. Como nos 20 Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, do poeta Pablo Neruda, que li, reli e finalmente comi, durante uma certa fase pós-adolescente.


Foi-se Neruda. Foi-se um batalhão de gente. Foi-se um país inteiro, o Brasil, e eu apresentei minhas cordiais e sentidas despedidas, que não foram respondidas. Ir embora, ou ficar olhando na direção geral dos que se vão, é minha sina. Já quase que me acostumei, nesta hora em que eu também estou prestes a pegar o chapéu e embarcar..


Hoje, no entanto, despeço-me de George W. Bush citando o Neruda, poeta que ele desconhece (inclusive porque se comunistou logo depois dos poemas que citei), portanto se conhecesse mandaria imediatamente para Guantánamo, mesmo que morto.


Tanto faz. A posição é tudo. Lenço agitado na mão, cais do porto, é comigo. Para tal, ao contrário da maior parte das pessoas, digo meu adeus citando trecho de um poema de Neruda, que já foi de enorme importância para mim. Assim caminhava a juventude.


“Para que nada nos amarreQue no nos una nada (…)
Em cada puerto una mujer esperaLos marineros besan y se van.Una noche se acuestan com la muerte en el lecho del mar (…)”


Nesta hora de partir (passei a outro poema do Neruda), lembro e eternizo o que for possível eternizar nas “internets” algumas das frases presidenciais que ganharam o termo de “bushismos”, ainda não dicionarizado, nem em nova nem em velha ortografia, mas que um dia o serão. Os dicionários brasileiros revistos são vaquinhas danadas para dar dinheiro.
Serás e és lembrado, “Dubya”, como lembrados são Carlitos, Buster Keaton e o Gordo e o Magro, com a única diferença que eles, sem armas, de destruição em massa ou pequenas parcelas, nos mataram, e nos matam, de rir. Ainda riremos de Vossa Senhoria.


Vai, vai, vai, disse o pássaro. Mas aí estou citando outro poeta, o Eliot, o que só complica as coisas. Para mim, para você, para o eventualíssimo leitor.

Segue um punhado de meus “bushismos” prediletos.
*“Eu acho que a guerra é um lugar perigoso.”
*
“Vai levar algum tempo para restaurarmos o caos.”
*
“Nossos inimigos estão sempre pensando em maneiras de prejudicar nosso país. Nós também.”
*
“Eu acho que deveríamos aumentar a idade legal para os jovens terem porte de armas.”
*
“Os pobres não são necessariamente assassinos.”
*
“A África é uma nação que sofre de doenças incríveis.”
*
“Um orçamento tem muitas linhas, muitas palavras, muitas páginas, muitos números.”
*
“Há que se admitir: em minhas frases vou onde nenhum homem foi antes.”
*
“Aos maus alunos, eu digo: vocês também podem chegar à presidência de nosso país.”
*
“Uma criança que aprendeu a ler e escrever pode perfeitamente passar num teste de alfabetização.”
*
“Sei que o ser humano e o peixe conseguem conviver em paz.”
*
“Ouvi dizer que há rumores nas internets.”
*
Cato uma ameaça de lágrima no canto do olho, e, como os cafajestes, digo do cais em que vivo: “Valeu, companheiro. Pode deixar que Obama completará sua missão direitinho e garanto que vai acabar encontrando as danadas das Armas de Destruição em Massa do Iraque. Mesmo que isso doa à Sua Senhoria.”


Confere, Obama?
Com o senhor, já que idéias ainda não foram manifestadas, a palavra.


Ivan Lessa/Colunista da BBC Brasil

Confira lista de 'bushismos' ditos nos últimos oito anos


Todos os políticos cometem gafes e falam coisas sem pensar. Mas o presidente americano, George W. Bush, conseguiu tornar-se notório por isso.


Os americanos até cunharam o termo "Bushismo" para classificar os lapsos verbais que se tornaram comuns nos últimos oito anos.Confira abaixo alguns dos "Bushismos" que se tornaram célebres.

Sobre si mesmo


"Eles me mal-subestimaram."(Bush inventou a palavra 'misunderestimated')Bentonville, Arkansas, 6 de novembro de 2000
"Não há dúvida de que no minuto em que eu fui eleito, as nuvens de tempestade no horizonteestavam chegando quase diretamente sobre nós." Washington, 11 de maio de 2001


"Eu quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós hoje. Ele se casou com uma menina do Texas, eu quero que vocês saibam. Karyn está conosco. Uma menina do Oeste do Texas, exatamente como eu." Nashville, Tennessee, 27 de maio de 2004

Sobre política externa


"Há um século e meio, os Estados Unidos e o Japão formam uma das maiores e mais duradouras alianças dos tempos modernos." (Bush se esquecendo da Segunda Guerra Mundial)Tóquio, 18 de fevereiro de 2002


"A guerra contra o terror envolve Saddam Hussein por causa da natureza de Saddam Hussein, da história de Saddam Hussein, e a sua determinação de aterrorizar a si mesmo." Grand Rapids, Michigan, 29 de janeiro de 2003

"Eu acho que a guerra é um lugar perigoso." Washington, 7 de maio de 2003


"O embaixador e o general estavam me relatando sobre a – a grande maioria dos iraquianos querem viver em um mundo pacífico e livre. E nós vamos achar essas pessoas e levá-las à Justiça." Washington, 27 de outubro de 2003


"Sociedades livres são sociedades cheias de esperança. E sociedades livres serão aliadas contra os poucos odiosos que não têm consciência, que matam ao gosto de um chapéu." Washington, 17 de setembro de 2004


"Você sabe, uma das partes mais difíceis do meu trabalho é conectar o Iraque à guerra ao terrorismo." Washington, 6 de setembro de 2006

Sobre educação


"Ler é básico para todo o aprendizado." Reston, Virginia, 28 de março de 2000


"Como governador do Texas, eu estabeleci altos padrões para as nossas escolas públicas, e eu cumpri esses padrões." Entrevista à CNN, 30 de agosto de 2000


"Você ensina uma criança a ler, e ele ou ela ('he or her' em inglês, em vez do correto: 'he or she') vai conseguir passar em um teste de escrita." Townsend, Tennessee, 21 de fevereiro de 2001

Sobre economia


"Eu entendo o crescimento dos negócios pequenos. Eu fui um." Entrevista ao New York Daily News, 19 de fevereiro de 2000


"É claramente um orçamento. Tem muitos números nele." Entrevista à agência de notícias Reuters, 5 de maio de 2000

"Eu continuo confiante em Linda. Ela será uma ótima secretária de Trabalho. Do que eu li na imprensa, ela é perfeitamente qualificada." Austin, Texas, 8 de janeiro de 2001

"Primeiro, deixe-me esclarecer bem, pessoas pobres não são necessariamente assassinos. Só porque você não é rico, não significa que você está disposta a matar." Washington, 19 de maio de 2003

Sobre saúde


"Eu não acho que nós devamos ser sublimináveis sobre a diferença entre nossos pontos de vista sobre remédios que exigem prescrição." (Bush inventou a palavra 'subliminable')Orlando, Flórida, 12 de setembro de 2000


"Doutores demais estão deixando o negócio. Muitos obstetras e ginecologistas não estão podendo praticar o seu amor às mulheres pelo país." Poplar Bluff, Missouri, 6 de setembro de 2004
Sobre tecnologia


"Seria um erro para o Senado americano permitir que qualquer tipo de clonagem humana saísse daquela sala." Washington, 10 de abril de 2002


"A informação está em movimento. Você sabe, o noticiário da noite é uma forma, é claro, mas também está se movimentando pela blogosfera e através das internets." Washington, 2 de maio de 2007

Sobre governar


"Eu tenho uma visão diferente de liderança. Uma liderança é alguém que consegue unir as pessoas." Bartlett, Tennessee, 18 de agosto de 2000


"Eu sou o decisor, e eu decido o que é melhor." Washington, 18 de abril de 2006

"E a verdade é que muitos relatórios de Washington nunca são lidos por ninguém. Para mostrar como este é importante, eu o li e Tony Blair o leu." Sobre o relatório Baker-Hamilton, em Washington, 7 de dezembro de 2006


"A única coisa que posso dizer é que quando o governador liga, eu atendo o telefone." San Diego, Califórnia, 25 de outubro de 2007

"Eu já terei morrido há anos antes que alguma pessoa esperta descubra o que aconteceu dentro do Salão Oval." Washington, 12 de maio de 2008

Sobre outros assuntos


"Eu sei que os seres humanos e os peixes podem coexistir pacificamente." Saginaw, Michigan, 29 de setembro de 2000


"Famílias são onde a nossa nação encontra esperança, onde as asas viram sonhos." LaCrosse, Wisconsin, 18 de outubro de 2000

"Aqueles que entram no país ilegalmente violam a lei." Tucson, Arizona, 28 de novembro de 2005

"Isso é George Washington, o primeiro presidente, é claro. O que é interessante sobre ele é que eu li três – três ou quatro livros sobre ele no último ano. Isso não é interessante?" Washington, 5 de maio de 2006

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mau gerenciamento atrasou obras do PAC

Não adianta a retórica do prefeito Wilson Santos, contestando críticas ao atraso nas obras do PAC, alegando que seus opositores, com Blairo Maggi à frente, estão fazendo o terceiro turno das eleições municipais.

Vamos aos fatos:

1 -As obras do PAC estão atrasadas. A culpa é de quem?

Não é por falta de dinheiro.

2- A verba tem e está em poder da prefeitura.

O problema é gerenciamento? Mas quais são os problemas?

Houve

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Protesto contra a matança em Gaza


A comunidade árabe-muçulmana de Cuiabá organiza hoje um protesto contra a ação criminosa de Israel na Faixa de Gaza, onde vem promovendo um verdadeiro holocausto contra os palestinos.


O protesto conta com o apoio de várias entidades, como a Central dos trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso.


Local: Praça Alencastro (em frente a prefeitura)
Horário: 11h30
Data: 14 de janeiro, quarta-feira

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cidadãos fazem panfletagem contra aumento da tarifa de ônibus

Cidadãos e representantes de entidades realizam panfletagem nesta quarta, dia 14, às 11h, em frente à MTU (Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos) contra o aumento da passagem de ônibus, já anunciado publicamente pela prefeitura de Cuiabá.

A movimentação pretende informar a sociedade sobre a intenção da SMTU (Superintendência Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos) em parceria com os empresários em elevar a tarifa de R$ 2,05 para R$ 2,40.

"Essa panfletagem tem o objetivo de informar o povo sobre a possibilidade de mais um aumento, o que é um desrespeito. Eu utilizo o ônibus todos os dias e posso afirmar, com certeza, que o nosso transporte é ruim, tem muitos ônibus velhos, falta ar-condicionado em muitos deles, superlotação sempre e o sistema de recarga do cartão sempre está fora do ar. É um absurdo falar em aumento diante de tudo isso", disse a usuária do transporte coletivo e jornalista Ana Paula Carnahiba.

"A prefeitura faz isso em janeiro porque sabe que os estudantes secundaristas e universitários estão de férias e assim há menos possibilidade de manifestações nas ruas. É um golpe contra a população", afirmou Robinson Ciréia, usuário do transporte coletivo e professor de História. Apóiam a panfletagem entidades como o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) e a União Nacional dos Estudantes (Une).

"A tarifa atual já é um absurdo, imagine um novo aumento", disse Keka Werneck, presidente do Sindjor. "Apoiamos o ato contra o aumento e vamos fazer de tudo pra saber se a tentativa de uma nova elevação está fundamentado em bases legais e contábeis", observou Paulo Lemos, da assessoria jurídica da Une.

Telefones para contato: Ana Paula Carnahiba (9952-4767), Robinson Ciréia (8429-4993) e Paulo Lemos (9228-0177).
(Leia mais no blog do Sindjor www.sindicatodosjornalistasmt.blogspot.com)
Keka Werneck

Altamiro Borges: Lampreia, o ''ridículo'' ex-chanceler de FHC



Por Altamiro Borges




O diplomata de carreira Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC de 1995 a 2001, deixou de lado qualquer diplomacia - se é que algum dia teve - para atacar duramente o atual ministro Celso Amorim. O motivo da bronca, que deve ter agradado o regime sionista de Israel, foi a viagem do representante do presidente Lula ao Oriente Médio na tentativa de contribuir para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No seu blog, não por acaso postado no site do jornal O Globo, o ativo tucano destilou veneno. Como diz o ditado, a inveja é uma... desgraça!


''No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo'', esbravejou Lampreia. Como sua mentalidade servil às potenciais imperialistas, ele avalia que o Brasil não tem nenhum papel a jogar no tabuleiro internacional. Para ele, Amorim ''deve estar incomodando os líderes políticos da região com seus pedidos de audiência quando eles têm outras prioridades. Ele nada pode acrescentar aos esforços de paz que a França e o Egito desenvolvem. Deve ser vista com suspeita pelos líderes israelenses pelas posições que assumir. Seguramente não é considerado pelos americanos como um fator relevante na questão. Enfim, as peripécias do ministro são uma inutilidade que só pode trazer desgaste à diplomacia brasileira''.


Um notório entreguista


De Jerusalém, onde se encontrou com representantes do governo israelense, após se reunir com o presidente sírio Bashar Assad, Amorim deu o troco de forma diplomática. Sem citar nomes, ele classificou as críticas como sintoma da baixa autoestima de alguns brasileiros. ''No futebol, nós superamos essa síndrome. Na política e no comércio internacional, ainda não''. Para ele, o Brasil deve ter um papel protagonista no cenário mundial. ''Não tenho ilusões de que estamos aqui para resolver um problema que ninguém resolveu. Mas fazemos parte de um conjunto de esforços da comunidade internacional. A comunidade internacional não pode ser só EUA e União Européia''.


Uma postura bem diferente da adotada por Lampreia quando exerceu o mesmo cargo no governo entreguista de FHC. Na época, o ex-chanceler foi um dos mais ativos defensores da política de ''alinhamento automático'' com os EUA. Com inúmeros atos, ele tentou pavimentar ''o caminho'' para viabilizar o tratado neocolonial imposto pelo imperialismo, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Também propôs a concessão da base militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA. Quem quiser conhecer melhor este triste período da diplomacia brasileira basta ler o livro ''As relações perigosas Brasil/Estados Unidos'', de Luiz Alberto Moniz Bandeira.


Um direitista militante


Luiz Felipe Lampreia tenta se travestir de diplomata, mas é um direitista militante e um tucano de carteirinha. Para conhecer suas opiniões, basta passar os olhos no seu blog no site da Globo. No atual genocídio em Gaza, ele adota a mesma posição da carniceira Condoleezza Rice e dos sionistas, vendendo a imagem de Israel como vítima e dos palestinos como terroristas. Ataca o Hamas, que ''prossegue em seu tom belicoso, anunciando que seguirá na luta. Para os radicais palestinos, o hasteamento de sua bandeira verde no último prédio de pé em Gaza representaria uma grande vitória política''. Ele até defende o cessar-fogo, mas sob os escombros de Gaza.


Já no que se refere à América Latina, um dos principais alvos de suas críticas a atual política do governo Lula, Lampreia explicita que não tem nada de diplomata. Prega maior endurecimento nas relações com os ''parceiros truculentos'', atacando o presidente Rafael Correa, do Equador; agride Hugo Chávez - chamando-o de coronel e não de presidente -, criticando ''os seus gastos ineficientes'' e defendendo ''uma mudança radical em sua política econômica''. O ódio ao líder bolivariano é tanto que ele condenou a aprovação da Câmara Federal do ingresso da Venezuela no Mercosul. ''Esperemos que o Senado mantenha sua oposição a esta decisão desastrosa''.


Serviçal dos EUA e de Uribe


O ex-chanceler de FHC também adora desqualificar Cuba. ''A revolução cubana fez 50 anos e os oligarcas de Havana celebraram muito. Mas o povo está cada vez mais miserável'', atacou num de seus últimos textos. Em outra, rancoroso, disse que foi destratado numa viagem à ilha. ''Cuba é glorificada por alguns ingênuos (e outros não tanto). Mas continua sendo, desde os tempos do paredón, uma ditadura feroz, com um partido único, um chatíssimo jornal único, muitos presos políticos e o cerceamento das liberdades'', escreveu num linguajar típico dos agentes da CIA.


Para Lampreia, o governo Lula erra ao investir no avanço das relações políticas e econômicas no continente. Por isso, ele atacou de maneira hidrófoba a Cúpula da América Latina, realizada em dezembro na Bahia. ''Os resultados foram nulos'', esbravejou. A razão, segundo o defensor do ''alinhamento automático'' com os EUA, foi ''a retórica antiamericana extravagante dos Chávez e Morales da vida, no momento em que vai assumir o presidente Barack Obama, de quem muito se espera universalmente... Com radicais ideológicos não há muito espaço para a racionalidade''.


Ao mesmo tempo em que ataca Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador - e, com inveja, o ministro Celso Amorim -, o ex-chanceler de FHC prioriza as suas ''ligações'' com os EUA e o presidente narcoterrorista Álvaro Uribe. Há poucos dias, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, anunciou que Felipe Lampreia fará parte de uma missão especial encarregada de melhorar a imagem desde país - conhecido como o recordista mundial em assassinados de sindicalistas, pelos escândalos de corrupção nos altos escalões de governo e pela existência de milícias paramilitares envolvidas no trafico de cocaína. Belas companhias a de Lampreia!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Hamas afirma que a vitória sobre Israel está "mais perto do que nunca"


A televisão do Hamas divulgou nesta segunda-feira uma gravação do líder do grupo islâmico, Ismail Haniyeh, na qual ele afirma que o Hamas irá vencer e está determinado a continuar sua luta contra Israel, apesar da ofensiva militar de Israel a Gaza, segundo o diário israelense "Haaretz". Ainda nesta segunda-feira, Israel proibiu os partidos árabes de participar das próximas eleições parlamentares, em fevereiro.
"Gaza não irá sucumbir --nossa vitória sobre os sionistas está próxima", afirmou Haniyeh em discurso. "Nosso destino está nas mãos de Alá, então que poder os filhos do Sião podem ter contra ele? Alá irá se vingar deles."

Apesar de afirmar que a vitória está "próxima", ele disse que o Hamas não tem o poder para resistir à "máquina de guerra" de Israel.
Esse é o segundo discurso de Haniyeh transmitido desde o início da ofensiva israelense ao território palestino, no dia 27 de dezembro. Há cerca de duas semanas, ele fez sua primeira aparição, dizendo que a operação em Gaza era o genocídio do povo palestino. Haniyeh e outros líderes do Hamas estão escondidos desde o início da ofensiva.
Outros líderes do Hamas em Gaza disseram que a vitória "está mais perto do que nunca". Em comunicado, o gabinete do Hamas afirmou que as forças invasoras serão repelidas em breve, que o grupo continua a atuar como o governo de Gaza e condenou Israel por sua "reocupação" do território palestino.
Ofensiva
"Confirmamos ao nosso povo que a vitória está mais perto do que nunca", afirma a declaração. "Confirmamos nossa intenção de continuar a trabalhar para acabar com a guerra dos terroristas contra o nosso povo, para terminar o cerco completamente e reabrir as passagens (de fronteira)", diz o comunicado, citado pelo diário israelense Haaretz.
Israel afirma que o objetivo de sua operação é eliminar a capacidade do Hamas de lançar foguetes contra cidades israelenses. Reservistas de Israel foram enviados para Gaza neste domingo, para reforçar a ofensiva. De acordo com militares, os soldados foram enviados com o objetivo de vencer a resistência do Hamas por terra.

Hoje, o primeiro-ministro Ehud Olmert, disse que Israel irá atacar com "mão de ferro" enquanto continuarem os disparos de foguetes palestinos. "Nós iremos continuar o tempo que for necessário para remover qualquer ameaça para o nosso povo", disse.
Cerca de 900 palestinos morreram desde o início da ofensiva, de acordo com fontes médicas palestinas. O setor de Inteligência das Forças de Defesa Israelenses (IDF, em inglês) afirma que ao menos 400 palestinos mortos são militantes do Hamas.
Hoje, o embaixador de Israel no Conselho de Segurança da ONU (organização das nações unidas), Aharon Leshno-Yaar, defendeu a operação militar e acusou o Hamas de utilizar a população como escudo humano. Já o embaixador palestino na ONU, Ibrahim Khraishi, qualificou de genocídio a ação israelense e afirmou que 80% das vítimas são civis.
Fonte: Folhaonline

Lula: aumento do desemprego pode causar convulsão social






TERRA - O presidente Luís Inácio Lula da Silva, em seu primeiro evento público de 2009, a abertura da feira internacional de calçados Couromoda, observou nesta segunda-feira que os países emergentes provaram seriedade ao mundo desenvolvido e afirmou que "essa crise não pode durar muito tempo sob o risco de uma convulsão social", se referindo ao aumento nas taxas de desemprego do País.
Mesmo assim, Lula iniciou discurso com otimismo e informou que o Brasil vai privilegiar, no início deste ano, os gastos nos investimentos e cortar o que for possível nos custos.
Segundo ele, a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não pode permitir a paralisação de nenhuma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
- Não faltará dinheiro para investimento, agora é a hora de o Estado provar que pode cumprir seu papel - disse.
Ele afirmou ainda aos empresários do setor de calçados: "temos que construir 2009, muita gente fala que parece que eu gosto da crise, mas não é isso. Se o Brasil se preparar bem, quando o crescimento for retomado, levaremos o jogo".
O presidente do País também respondeu a algumas críticas.
- Tem gente que não gosta desse meu otimismo. Sou brasileiro, corintiano, católico e presidente do País, não tem como não ser.
Ainda sobre os investimentos, Lula afirmou que "este ano temos que tomar a iniciativa de fazer a roda gigante girar, senão a crise corre o risco de ser ainda mais forte".
Em relação à situação dos Estados Unidos com a crise financeira, ele considera que o presidente eleito Barack Obama está "com um pepino muito grande nas mãos, por isso não pode perder tempo".
Fonte: Portal Terra

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mercado brasileiro foi o 'menos pior' dos Bric em 2008

O mercado de ações brasileiro foi o que registrou a menor queda em suas cotações em 2008 entre os países do chamado grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).


Com o encerramento das operações no ano, o índice Ibovespa, da Bolsa de São Paulo, acumulou perdas de 41,2% no ano, como reflexo da crise econômica internacional. A queda foi a maior desde 1972. Porém os dados mostram que outros grandes países emergentes sofreram um impacto ainda maior.


Entre os Bric, considerados os países candidatos a grandes potências econômicas mundiais no médio prazo, a Rússia foi o país que mais sofreu as conseqüências da crise, com uma queda de 72,4% no índice RTS, da Bolsa de Moscou.


A Rússia, país rico em reservas de gás e petróleo, foi fortemente atingida pela queda dos preços dessas commodities. A cotação internacional do barril de petróleo, que havia atingido o valor recorde de US$ 147 em julho, era negociado nesta quarta-feira a pouco menos de US$ 37.
Na China, o índice Shanghai Composite, da Bolsa de Xangai, caiu 65% no ano, a sua pior queda da história. Na Bolsa de Hong Kong, as perdas acumuladas no índice Hang Seng ficaram em 48% - as maiores desde 1974, após a crise do petróleo.


A Índia foi o segundo mercado dos Bric menos atingido pela crise, após o brasileiro. O índice BSE, da Bolsa de Mumbai, terminou o ano 52% abaixo do seu nível do começo de janeiro. O desempenho do mercado de ações brasileiro também foi superior ao da vizinha Argentina, que viu o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, despencar 49,8% ao longo do ano.
Sem descolamento


As quedas acentuadas nas bolsas dos principais países emergentes têm sido apontadas como demonstração de que a tese de “descolamento” das suas economias da crise nos países desenvolvidos era infundada. A comparação com o desempenho dos mercados acionários dos países desenvolvidos, em geral mais atingidos pela crise na economia real, mostra que as quedas nos mercados emergentes foram ligeiramente maiores.


Nos Estados Unidos, principal epicentro da crise que tomou proporções globais no segundo semestre do ano, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York perdeu 35% no ano, seu pior desempenho desde 1931, quando ainda sofria as conseqüências do grande crash de 1929. O índice da Nasdaq, bolsa que concentra ações de empresas de tecnologia, teve uma queda um pouco mais acentuada, de 42% no ano – a maior de sua história.


Na Europa, o índice FTSE 100 da Bolsa de Londres registrou uma baixa de 32%, enquanto o índice Dax da Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, caiu 40% no ano, sua maior queda em duas décadas. A Bolsa de Tóquio também registrou neste ano sua maior queda da história, com uma redução de 42% em seu principal índice, o Nikkei.

Fonte: BBC Brasil


Entenda o BRIC:





http://www.suapesquisa.com/pesquisa/bric.htm






Conheça os integrantes do BRIC:



BRASIL






http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil



RÚSSIA



http://pt.wikipedia.org/wiki/Russia





ÍNDIA






http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndia




CHINA





http://pt.wikipedia.org/wiki/China

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Faixa de Gaza

Ataques em Gaza mataram 205 crianças, dizem palestinos









Os últimos números divulgados pelas autoridades palestinas do setor de saúde informam que 205 crianças estão entre os cerca de 600 mortos na ofensiva na Faixa de Gaza.
O número de crianças entre os 2,9 feridos ainda é desconhecido, por causa do caos que se instalou no território palestino.

Enquanto os médicos trabalham sem pausa para tentar salvar o máximo de crianças, psiquiatras infantis na Faixa de Gaza e no sul de Israel temem que algumas crianças nunca se recuperem dos danos psicológicos causados pela violência do conflito.

Iyad Sarraj, diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental da Faixa de Gaza, afirmou que "muitas pessoas" estão ligando para os funcionários do centro, mas o escritório da organização teve que ser abandonado depois que um ataque aéreo de Israel danificou janelas e móveis do local. "Está realmente terrível para as crianças agora. Já passei por muitos episódios como este, mas este é o pior", afirmou.
Trauma

Sarraj conta a história de um menino que tratou há cinco anos. A casa dele foi atingida em um ataque aéreo contra um militante do Hamas, que vivia na casa vizinha à dele. Tateando no escuro depois do ataque, o menino encostou a mão em algo molhado. "Ele percebeu que era a carne da irmã, que ficou em pedaços (depois do ataque). Ele não conseguiu comer ou sentir cheiro de carne durante três anos. Tenho certeza de que ele vai sofrer algum impacto psicológico em longo prazo."

"Este tipo de coisa deve estar acontecendo agora, enquanto conversamos", afirmou.
Sarraj não consegue sair de casa devido aos combates na Faixa de Gaza e, por isso, não consegue visitar os hospitais, mas tem visto pela televisão as imagens de crianças traumatizadas e feridas.
"Estas crianças precisam de ajuda, mais do que qualquer outra pessoa. Elas parecem assustadas, horrorizadas e desnorteadas. Elas precisam de muita atenção, mas não podem receber, pois suas famílias também estão aterrorizadas", afirmou.
Choque

Salwi Tibi, da agência humanitária Save the Children e que vive ao norte da Cidade de Gaza, perto dos confrontos terrestres mais intensos, está monitorando o impacto nas crianças.
Tibi conta sobre um menino de dois anos e meio de Beit Lahiya, local onde estão ocorrendo combates intensos, que foi levado para um hospital já sem vida.

"Ele não estava ferido, estava bem de saúde. Os médicos me disseram que a criança morreu devido ao choque causado pelo som do bombardeio", afirmou. Tibi afirma que sua própria filha, Malak, de 7 anos, é um caso típico de criança afetada pela guerra. Malak começou a molhar a cama no primeiro dia dos ataques aéreos.
Crianças palestinas passaram os últimos meses com medo das sirenes"Onde quer que eu vá ela me segue - até ao banheiro. Assim que ela ouve o bombardeio, (...) fecha os olhos e grita 'parem, parem'", afirmou. "Se eu tivesse um computador, deixaria que ela ouvisse música, brincasse com os jogos, para esquecer, mas não há eletricidade, tudo está silencioso, então tudo o que ela ouve são os bombardeios", acrescentou.

Israel

Os mesmos sintomas podem ser observados em crianças de Sderot, a cidade do sul de Israel perto da Faixa de Gaza que foi atingida por 10 mil foguetes palestinos nos últimos dez anos.
Quatro pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas na região desde o início da ofensiva. Não há estatísticas para o número de crianças, apesar de uma vítima ser um bebê ferido no rosto.
Dalia Yosef, psicoterapeuta e diretora do Centro de Resistência local, afirmou que sua carga de trabalho aumentou antes e durante os combates.

Qualquer criança da cidade que tenha menos de 8 anos de idade conhece a vida com apenas 15 segundos para chegar a um abrigo quando as sirenes disparam. "A criança não tem experiência de mundo com segurança - a casa não é segura, o quintal, a creche... isto influencia todo o ciclo de vida da criança", afirmou.

Yossi Haimov, 10 anos, estava brincando fora de casa com sua irmã de 8 anos quando foi atingido por um foguete Qassam em fevereiro de 2008. "Despedaçou a mão dele, ele não pode usá-la. O osso foi completamente destruído do ombro para baixo (...). Ele ainda está traumatizado", afirmou o pai, Tashkent Haimov.
Yossi costumava jogar futebol, mas agora a criança não se aventura para fora de casa temendo ser machucado e tem ataques de pânico. Uma pesquisa realizada em Sderot concluiu que 30% das crianças da cidade mostram sintomas de estresse pós-traumático. Iyad Sarraj relata que cerca de um terço das crianças da Faixa de Gaza apresentam sintomas psicológicos que precisam de tratamento.

Heather Sharpde Jerusalém
para a BBC

Eleições no Congresso dividem bancada



Parlamentares de MT seguem orientação política, mas alertam que corpo-a-corpo no Senado e Câmara pode culminar em quebra de acordos





Divergências imperam na maior parte da bancada mato-grossense no Congresso Nacional em relação à acirrada disputa às presidências do Senado e Câmara Federal. Cada parlamentar tem seguido orientação de seus respectivos partidos políticos, dividindo os posicionamentos.
Integrantes da bancada de Mato Grosso alertam que em função dessa mesma cisão, a eleição marcada para o dia 2 de fevereiro, na Câmara, poderá ser decidida em dois turnos. No Senado, a disputa se fecha em torno de dois candidatos: o atual presidente, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e o representante do PT, senador Tião Viana (AC). Com esse quadro, a senadora Serys Slhessarenko (PT) destaca que a bancada do partido não apenas apóia o nome de Tião, como também tenta angariar respaldo para o correligionário. Viana tem tentado aglutinar força política por meio de cartas enviadas aos colegas senadores. Serys lembrou que o documento traz o histórico do Senado e da trajetória política do senador.
“Nessa carta, o Tião também destaca que pretende fazer um trabalho voltado à transparência das ações e ao social”. Para a senadora, o nome do candidato do PT soa como boa possibilidade. “Existem bons nomes e o nome do senador Tião também está entre os que podem fazer um bom trabalho na presidência”. Contudo, os parlamentares de Mato Grosso alertam para as fortes chances de que a disputa na Câmara Federal demande dois turnos, devido ao número de candidatos. Até o momento, a Casa conta com quatro nomes postos: Michel Temer (PMDB-SP), Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Numa costura política que desenha a formação de um bloco integrado pelas bancadas do PMDB, PT, DEM e PSDB, o deputado federal Michel Temer é o grande cotado. Contudo, parlamentares da bancada de Mato Grosso como o deputado federal Wellington Fagundes (PR) alertam para o quadro de disputa, que pode revelar “surpresas” no dia da eleição.
Na Câmara Federal, o PR, em tese, teria fechado o apoio ao nome de Temer. No entanto, como ressalta Fagundes, o desenrolar da disputa pode gerar novos acordos. Segundo ele, o próprio Partido da República está dividido em relação à escolha do líder da legenda. O nome de Michel Temer é bem visto por Wellington e ainda pelo deputado Homero Pereira (PR). No entanto, Pereira reforça que, apesar das aparências de coesão política em torno de um nome, a eleição de fato só será definida no dia 2 de fevereiro. “O voto é individual e secreto, portanto, podem ocorrer mudanças”, analisou. A deputada federal Thelma de Oliveira (PSDB), confirmou a posição da bancada tucana na Câmara Federal de apoio a Michel Temer. Já Valtenir Pereira (PSB) defende o candidato Aldo Rebello, apoiado pelo chamado Bloco de Esquerda, formado pelo PSB, PC do B, PDT, PMN, PHS e PRB.
Fonte: Diário de Cuiabá

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Segundo reportagem:



Vereadores podem perder mandato





Três membros da Câmara de Cuiabá estão sob mira do Ministério Público e agora terão de responder na Justiça por denúncias de irregularidades



Sonia Fiori

Diário de Cuiabá



Três dos 19 vereadores que formam a nova legislatura da Câmara Municipal de Cuiabá correm riscos de ter os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral. Estão na mira do Ministério Público Eleitoral (MPE) os veteranos Domingos Sávio (PMDB) e Levi de Andrade, o Leve Levi (PP), assim como o novato Ralf Leite (PRTB). Recai sobre os parlamentares denúncias de supostas irregularidades cometidas na campanha eleitoral, entre elas, a de compra de votos. O MPE ingressou recentemente com ações que pedem a impugnação de mandato eletivo de Leve Levi e Ralf Leite. De acordo com o promotor eleitoral Marcos Machado, processo de investigação contra Domingos Sávio, sob a acusação de compra de votos, está em fase final, cuja ação já é preparada. “Estamos investigando e esse processo do vereador Domingos Sávio poderá gerar uma ação com pedido de impugnação de seu mandato”, explica o promotor. Machado destacou ainda que devido ao recesso forense, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) expediu portaria que altera o prazo para ingresso de ações. Segundo ele, no caso de Domingos Sávio, “há indícios fortes” de prática de crime eleitoral. O promotor ressalta ainda que a expectativa é de que a investigação seja concluída esta semana. Apesar da portaria do TRE sobre a suspensão do prazo para interposição de ações na Justiça, nos cartórios ainda há controvérsias em relação ao período. Segundo informou a assessoria do Tribunal, em tese, o prazo para ingresso das ações terminaria no dia 1º de janeiro – já que a Constituição Federal prevê que a apresentação de ações deve ser feita nos primeiros 15 dias “corridos” após a data da diplomação dos eleitos. Em Cuiabá, a diplomação ocorreu no dia 17 de dezembro. Apesar do cenário negativo de denúncias de compra de votos que ainda imperou nas eleições de 2008, o promotor eleitoral acentua a evolução registrada nos últimos anos com o advento de ferramentas como a minirreforma eleitoral. Entre as mudanças mais visíveis constam as alterações em relação à propaganda eleitoral, por meio da inserção de regras mais rígidas. Marcos Machado entende ainda que uma real mudança em relação aos pleitos eleitorais será consolidada somente a partir da maior conscientização da sociedade sobre a importância do processo sucessório. O promotor também é um dos entusiastas do movimento encampado pelo Ministério Público em todo o país que visa combater a corrupção eleitoral. Para Machado, as escolas possuem um papel fundamental no sentido de colaborar com o processo de formação e alerta aos estudantes a respeito da importância do voto. O promotor eleitoral vai mais além. Ele lembra ainda que toda a sociedade é responsável por assegurar eleições limpas, apesar dos diversos casos de compra e, portanto, de venda de votos.


Vereadores podem perder mandato








Três membros da Câmara de Cuiabá estão sob mira do Ministério Público e agora terão de responder na Justiça por denúncias de irregularidades


SONIA FIORI



Diário de Cuiabá





Três dos 19 vereadores que formam a nova legislatura da Câmara Municipal de Cuiabá correm riscos de ter os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral. Estão na mira do Ministério Público Eleitoral (MPE) os veteranos Domingos Sávio (PMDB) e Levi de Andrade, o Leve Levi (PP), assim como o novato Ralf Leite (PRTB). Recai sobre os parlamentares denúncias de supostas irregularidades cometidas na campanha eleitoral, entre elas, a de compra de votos. O MPE ingressou recentemente com ações que pedem a impugnação de mandato eletivo de Leve Levi e Ralf Leite. De acordo com o promotor eleitoral Marcos Machado, processo de investigação contra Domingos Sávio, sob a acusação de compra de votos, está em fase final, cuja ação já é preparada. “Estamos investigando e esse processo do vereador Domingos Sávio poderá gerar uma ação com pedido de impugnação de seu mandato”, explica o promotor. Machado destacou ainda que devido ao recesso forense, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) expediu portaria que altera o prazo para ingresso de ações. Segundo ele, no caso de Domingos Sávio, “há indícios fortes” de prática de crime eleitoral. O promotor ressalta ainda que a expectativa é de que a investigação seja concluída esta semana. Apesar da portaria do TRE sobre a suspensão do prazo para interposição de ações na Justiça, nos cartórios ainda há controvérsias em relação ao período. Segundo informou a assessoria do Tribunal, em tese, o prazo para ingresso das ações terminaria no dia 1º de janeiro – já que a Constituição Federal prevê que a apresentação de ações deve ser feita nos primeiros 15 dias “corridos” após a data da diplomação dos eleitos. Em Cuiabá, a diplomação ocorreu no dia 17 de dezembro. Apesar do cenário negativo de denúncias de compra de votos que ainda imperou nas eleições de 2008, o promotor eleitoral acentua a evolução registrada nos últimos anos com o advento de ferramentas como a minirreforma eleitoral. Entre as mudanças mais visíveis constam as alterações em relação à propaganda eleitoral, por meio da inserção de regras mais rígidas. Marcos Machado entende ainda que uma real mudança em relação aos pleitos eleitorais será consolidada somente a partir da maior conscientização da sociedade sobre a importância do processo sucessório. O promotor também é um dos entusiastas do movimento encampado pelo Ministério Público em todo o país que visa combater a corrupção eleitoral. Para Machado, as escolas possuem um papel fundamental no sentido de colaborar com o processo de formação e alerta aos estudantes a respeito da importância do voto. O promotor eleitoral vai mais além. Ele lembra ainda que toda a sociedade é responsável por assegurar eleições limpas, apesar dos diversos casos de compra e, portanto, de venda de votos.



A ilusão da vitória na Faixa de Gaza

Em carta aberta, maestro israelense diz que ofensiva militar é desumana e não garante segurança

Daniel Barenboim*, THE GUARDIAN

Tenho apenas três desejos para o ano-novo. O primeiro é que o governo de Israel se conscientize, de uma vez por todas, que o conflito no Oriente Médio não pode ser resolvido por meios militares. O segundo é que o Hamas se conscientize que não defenderá seus interesses pela violência, e que Israel está aqui para ficar. O terceiro é que o mundo reconheça que esse conflito não é igual a nenhum outro em toda a história.

É um conflito intricado e sensível, um conflito humano entre dois povos profundamente convencidos de seu direito de viver no mesmo pedaço de terra. É por isso que não poderá ser resolvido nem pela diplomacia nem pelas armas.

Os acontecimentos dos últimos dias são extremamente preocupantes para mim por várias razões de caráter humano e político.

Embora seja óbvio que Israel tem o direito de se defender, que não pode e não deve tolerar os constantes ataques contra seus cidadãos, os bombardeios brutais sobre Gaza suscitam profundas indagações na minha mente.

MORTES

A primeira é se o governo de Israel tem o direito de considerar todo o povo palestino culpado pelas ações do Hamas. Será que toda a população de Gaza deve ser responsabilizada pelos pecados de uma organização terrorista?

Nós, o povo judeu, deveríamos saber e sentir mais profundamente do que qualquer outro povo que o assassinato de civis inocentes é desumano e inaceitável. Os militares israelenses argumentam, de maneira muito frágil, que a Faixa de Gaza é tão densamente povoada que é impossível evitar a morte de civis. A debilidade desse argumento me leva a formular outras perguntas. Se as mortes de civis são inevitáveis, qual é a finalidade dos bombardeios? Qual é a lógica, se é que existe alguma, por trás da violência, e o que Israel espera conseguir por meio dela? Se o objetivo da operação é destruir o Hamas, a pergunta mais importante a ser feita é se esse objetivo é viável. Se não é, todo o ataque não só é cruel, bárbaro e repreensível, como também é insensato.

Por outro lado, se for realmente possível destruir o Hamas por meio de operações militares, que reação Israel espera que haja em Gaza depois que isso se concluir? Em Gaza vivem 1,5 milhão de palestinos, que seguramente não cairão de joelhos de repente para reverenciar o poderio do Exército israelense.

Não devemos esquecer que o Hamas, antes de ser eleito, foi encorajado por Israel como tática para enfraquecer o então líder palestino Yasser Arafat. A história recente de Israel me faz acreditar que, se o Hamas for eliminado por meio de bombardeios, outro grupo certamente tomará o seu lugar, um grupo que talvez seja mais radical e mais violento.

VINGANÇA

Israel não pode se permitir uma derrota militar porque teme desaparecer do mapa. No entanto, a história demonstrou que toda vitória militar sempre deixou Israel em uma posição política mais fraca do que a anterior por causa do surgimento de grupos radicais.

Não pretendo subestimar a dificuldade das decisões que o governo israelense precisa tomar a cada dia, nem subestimo a importância da segurança de Israel. Entretanto, continuo convencido de que o único plano viável para a segurança em Israel, no longo prazo, é obter a aceitação de todos os nossos vizinhos.

Desejo para o ano de 2009 a volta da famosa inteligência que foi sempre atribuída aos judeus. Desejo a volta da sabedoria do Rei Salomão para os estrategistas israelenses, a fim de que a usem para compreender que palestinos e israelenses gozam de idênticos direitos humanos.

A violência palestina atormenta os israelenses e não contribui para a causa palestina. A retaliação militar israelense é desumana, imoral e não garante a segurança de Israel. Como disse antes, os destinos dos dois povos estão inextricavelmente ligados e os obriga a viver lado a lado. Eles terão de decidir se querem que isso se torne uma bênção ou uma maldição.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Palavras definitivas sobre uma guerra insana

Uri Avnery

Pouco depois da meia-noite, o canal árabe Aljazeera exibia matéria sobre os eventos em Gaza. De repente, a câmera apontou para o céu escuro. Tela negra. Não se via coisa alguma. Mas ouvia-se o ruído dos aviões, assustador, um rugido apavorante.

Impossível não pensar nas dezenas de milhares de crianças de Gaza que ouviam aquele ruído naquele momento, encolhidas, paralisadas de medo, à espera da explosão das bombas.
"Israel tem de defender-se contra os foguetes que aterrorizam as cidades do sul do país", explicou o porta-voz israelense. "Os palestinenses têm de reagir contra o assassinato de seus combatentes na Faixa de Gaza", declarou o porta-voz do Hamás.

De fato, não se pode dizer que o cessar-fogo foi rompido, porque nem chegou a haver cessar-fogo, para começar. A principal exigência, para que haja qualquer cessar-fogo na Faixa de Gaza é que se libere a passagem nos postos de fronteira. Não há vida possível em Gaza sem um fluxo regular de suprimentos. E os postos não foram abertos, senão apenas por algumas horas, esporadicamente. O bloqueio por terra, mar e ar contra 1,5 milhão de seres humanos é ato de guerra, tanto quanto lançar bombas ou lançar rojões. O bloqueio paralisa a vida na Faixa de Gaza: extingue fontes de trabalho e emprego, limita oportunidades onde já praticamente não há oportunidade alguma, leva centenas de milhares de pessoas à fome, impede que os hospitais funcionem, corta o suprimento de eletricidade e água.

Os que decidiram fechar os postos de passagem - seja qual tenha sido o pretexto - sabem que nunca haveria e não houve efetivo cessar-fogo, nessas condições.

Isso é o principal. Depois, vieram as provocações menores, planejadas para obrigar o Hamás a reagir. Depois de vários meses, durante os quais praticamente não foram lançados rojões Qassam, uma unidade do exército foi mandada à Faixa, para "destruir um túnel localizado muito próximo da cerca de fronteira". De um ponto de vista estritamente militar, faria mais sentido montar uma emboscada dos dois lados da cerca. Mas o objetivo era criar um pretexto para pôr fim ao cessar-fogo, de modo que parecesse plausível culpar os palestinenses. Afinal, depois de várias pequenas ações, nas quais foram assassinados combatentes do Hamás, o Hamás retaliou com lançamento massivo de rojões, e - abracadabra - acabou o cessar-fogo. Todos culparam o Hamás.

Para quê? Tzipi Livni disse abertamente: para derrubar o governo do Hamás em Gaza. Os rojões Qassam foram o pretexto.

Derrubar o governo do Hamás? Soa como capítulo de "A Marcha da Insensatez". Afinal de contas, todo mundo sabe que, para começar, o governo de Israel praticamente criou o Hamás. Uma vez, perguntei a um ex-chefe do Shin-Bet, Yaakov Peri, sobre isso, e ele respondeu-me com ar enigmático: "Não criamos, mas tampouco dificultamos."

Durante anos, as autoridades da ocupação estimularam o movimento islâmico nos territórios ocupados. Quaisquer outras atividades políticas foram rigorosamente suprimidas, mas a atividade dos movimentos islâmicos nas mesquitas continuou liberada. O cálculo foi tão simples quanto ingênuo: a OLP era considerada o principal inimigo de Israel, Yasser Arafat era o demônio da hora. O movimento islâmico combatia a OLP e Arafat. 'Então'... foi tratado como aliado de Israel.

Na primeira intifada, em 1987, o movimento islâmico oficialmente se rebatizou: passou a chamar-se Hamás (sigla, em árabe, de "Movimento da Resistência Islâmica") e mergulhou na luta. Mesmo então, o Shin-Bet nada fez contra o Hamás durante quase um ano, enquanto os membros do Fatah eram executados ou presos aos magotes. Israel só reagiu depois de um ano, e prendeu também Sheikh Ahmed Yassin e seus seguidores.

Depois disso, as coisas mudaram. Hoje, o demônio da hora é o Hamás, e a OLP é vista por muitos em Israel quase como um braço do movimento sionista. A conclusão lógica, se o governo de Israel quisesse a paz, seria aceder ao que pedem as lideranças do Fatah: fim da ocupação, assinar um tratado de paz, instituir um Estado da Palestina, retorno às fronteiras de 1967, solução razoável para o problema dos refugiados, libertação de todos os prisioneiros palestinenses. Com isso, com certeza, o crescimento do Hamás teria sido contido.

Mas lógica e política não se dão bem. Nada daquilo aconteceu. Aconteceu o contrário. Depois do assassinato de Arafat, Ariel Sharon declarou que Máhmude Abbas, que sucedeu Arafat, era "galinha depenada". Não permitiram que Abbas contabilizasse a seu favor nenhum feito político, por pequeno que fosse. As negociações, patrocinadas pelos EUA, viraram piada. O mais autêntico dos líderes do Fatah, Marwan Barghouti, foi preso, com sentença de prisão perpétua. Em vez de libertação de prisioneiros, só "gestos" estreitos e insultantes.

Abbas passou a ser sistematicamente humilhado, o Fatah virou saco vazio e o Hamás obteve retumbante vitória eleitoral nas eleições na Palestina - as eleições mais democráticas que jamais houve no mundo árabe. Israel imediatamente pôs-se a boicotar o governo eleito. Na luta interna que se seguiu, o Hamás obteve controle direto sobre a Faixa de Gaza.

Agora, depois de tudo isso, o governo de Israel decidiu "liquidar o poder do Hamás em Gaza" - com sangue, fogo e colunas de fumaça.

O NOME OFICIAL da guerra é "Cast Lead" [provavelmente, "soldadinho de chumbo", dentre outras traduções possíveis], duas palavras tiradas de uma canção infantil sobre um brinquedo do Hanukkah.

Mais adequado seria que a chamassem "Guerra das Urnas".

Já outras vezes, no passado, também houve guerra durante campanhas eleitorais. Menachem Begin bombardeou o reator nuclear do Iraque durante a campanha eleitoral em 1981. Quando Shimon Peres reclamou que seria golpe eleitoral, Begin esbravejou, logo no comício seguinte: "Judeus! Crêem que eu mandaria nossos valentes rapazes para a morte ou, pior, para cair prisioneiros nas mãos de animais, só para vencer uma eleição?" Begin venceu.

Peres não é Begin. Quando, durante a campanha de 1996, ordenou a invasão do Líbano (operação "Vinhas da Ira"), todos sabiam que o fizera por puro cálculo eleitoral. A guerra foi um fracasso para Israel, Peres perdeu e Binyamin Netanyahu chegou ao poder.

Barak e Tzipi Livni recorrem agora ao mesmo velho golpe. Segundo as pesquisas, só nas últimas 48 horas, Barak já conquistou mais cinco cadeiras no Parlamento. Cerca de 80 cadáveres de palestinos por voto eleitoral.

Fato é que é muito difícil caminhar sobre uma pilha de cadáveres. Os ganhos eleitorais podem evaporar. Basta, para que evaporem, que a opinião pública em Israel passe a ver a guerra como um fracasso. Por exemplo, se os Qassams continuarem a atingir Beersheba, ou se a invasão por terra levar a muitas mortes de soldados israelenses.

O timing foi cuidadosamente escolhido, também por outro critério. Os ataques começaram dois dias depois do Natal, quando os líderes europeus e norte-americanos estão em férias, até o Ano Novo. A idéia brilhante: ainda que alguém sinta algum ímpeto de deter a guerra, ninguém desistirá do feriado. Assim, Israel ganhou vários dias sem qualquer pressão do exterior.

Mais uma razão para a ocasião escolhida: são os últimos dias de George Bush na Casa Branca. Cabia esperar que esse tolo encharcado de sangue apoiasse entusiasticamente a chacina, o que, de fato, ele fez. Barack Obama ainda não tomou posse e encontraria pretexto perfeito, pronto, para não interferir: "só há um presidente". O silêncio nada acrescenta, de positivo, à história do governo Obama.

A IDÉIA CENTRAL foi: não repetiremos os erros da Segunda Guerra do Líbano. Essa fala foi incansavelmente repetida em todos os jornais, nas entrevistas e noticiários de televisão. O que não altera o fato: a Guerra de Gaza é réplica quase idêntica da Segunda Guerra do Líbano.

O conceito estratégico é o mesmo: aterrorizar a população civil, com ataques implacáveis por ar, semeando a maior quantidade possível de morte e destruição. Esse tipo de estratégia não implica risco para os pilotos israelenses, porque os palestinenses não têm qualquer armamento de defesa anti-aérea. O plano: se a infra-estrutura de manutenção da vida diária das populações que vivem na Faixa for completamente destruída e se se implantar total anarquia... a população se levantará e derrubará o regime do Hamás. Então, Máhmude Abbas voltará para Gaza montado nos tanques de Israel.

No Líbano, o mesmo plano deu errado. A população chacinada, inclusive cristãos, reuniu-se em torno do Hizbóllah, e Hassan Nasrallah tornou-se herói do mundo árabe. O mesmo, provavelmente, acontecerá agora. Generais entendem de matar e movimentar tropas, não de psicologia de massas.

Há algum tempo escrevi que o bloqueio de Gaza é experimento científico, para determinar o quanto agüenta uma população privada de tudo, antes de que a espinha dorsal se parta. É experimento conduzido com o generoso apoio da Europa e dos EUA. Até agora, deu em nada. O Hamás tornou-se mais forte e os Qassam alcançam alvos cada vez mais distantes. A guerra, hoje, é a continuação do mesmo experimento, por outros meios.

É possível que não tenha restado "outra alternativa" ao exército, além de tentar reocupar a Faixa de Gaza, porque não há outro meio de deter os Qassams - exceto um acordo com o Hamás, o que contraria a política do governo. Quando começar o avanço por terra, tudo dependerá da motivação e da capacidade de combate dos soldados do Hamás, contra os soldados israelenses. Ninguém sabe o que acontecerá.

DIA A DIA, noite após noite, o canal árabe Al-Jazeera exibe imagens atrozes: corpos mutilados, velhos e crianças chorando, à procura dos seus, nas dezenas de cadáveres espalhados no chão, uma mulher puxando de uma pilha de cadáveres o cadáver de uma menina, médicos exauridos, sem remédios e sem gaze, tentando salvar a vida dos feridos. (O canal Aljazeera que transmite em inglês, diferente do canal que transmite em árabe, tem exibido imagens saneadas e repetido a incansável propaganda do governo de Israel. Seria interessante descobrir o que houve por lá.)

Milhões de pessoas estão vendo aquelas imagens terríveis, tela após tela, dia e noite. São imagens que ficam gravadas na memória para sempre: Israel, a horrível. Israel, a abominável. Israel, a desumana. Cria-se hoje mais uma geração que odeia. É erro horrendo, pelo qual Israel continuará a pagar, até muito depois de todos esquecerem quaisquer outros resultados dessa guerra.

Mas outra coisa está também sendo inscrita para sempre, na mente de milhões: o retrato dos miseráveis, corruptos, passivos regimes árabes. Do ponto de vista dos árabes, um fato é hoje visível, inescapável: que governos vergonhosos!

Para o milhão e meio de árabes em Gaza, que sofrem tão terrivelmente, a única abertura para o mundo, não controlada por Israel, é a fronteira com o Egito. Só por ali podem chegar comida para matar a fome, ou medicamentos para os feridos. Essa fronteira permanece fechada, no momento do terror máximo. O exército egípcio bloqueou a única via possível para que cheguem remédios, em momento em que os feridos estão sendo operados sem anestésicos.

Por todo o mundo árabe, de um extremo a outro, ecoaram as palavras de Hassan Nasrallah: Os líderes egípcios são cúmplices do crime. Estão colaborando com o "inimigo sionista" na tentativa de dobrar o povo da Palestina. Evidentemente, não se referia apenas a Mubarak, mas a todos os demais, do rei da Arábia Saudita ao presidente palestino. Quem assista às manifestações que estão acontecendo em todo o mundo árabe e ouça seus slogans terá a impressão de que, para muitos árabes, os políticos parecem patéticos, no melhor dos casos; ou criminosos colaboracionistas, no pior.

Tudo isso terá consequências históricas. Uma geração inteira de líderes árabes, uma geração imbuída da ideologia secular do nacionalismo árabe, os sucessores de Gamal Abd-al-Nasser, Hafez al-Assad e Yasser Arafat, pode estar sendo varrida do cenário. Podem estar dando lugar, no mundo árabe, à única alternativa que ainda parece viável: a ideologia do fundamentalismo islâmico.

Essa guerra é como um graffiti no muro: Israel está perdendo a chance histórica de fazer paz com o nacionalismo árabe secular. Amanhã talvez seja obrigada e enfrentar um mundo uniformemente árabe fundamentalista, o Hamás multiplicado por mil.

MEU MOTORISTA DE TÁXI, em Telavive, dia desses, pensou em voz alta: Por que não convocam os filhos dos ministros e dos deputados, organizam batalhões e os mandam invadir Gaza por terra?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cadê a ETA do Tijucal, Wilson Santos?

Em campanha pela reeleição, o prefeito Wilson Santos, acuado porque não cumpriu a promessa de resolver o problema da falta de água na capital, prometeu que até o final do ano a ETA do Tijucal estaria inaugura e o problema resolvido definitivamente.
O ano terminou ontem e cadê a ETA do Tijucal, prefeito?
Mais uma promessa não cumprida.