quinta-feira, 20 de março de 2008

um comentário em: Blog do João Negrão
"Alexandre Garcia é uma piada"
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keka disse...
A Rede Globo não se cansa nessa campanha contra Lula e Hugo Chavez e contra qualquer possibilidade de fortalecimento da América Latina. Aliás, nós, latinos, à revelia dessas investidas sacanas, somos mesmo um povo mágico, vejam "Buena Vista Social Club", um filme fantástico de Wim Wenders, cineasta alemão, sobre um grupo de músicos cubanos, já idosos, que estavam esquecidos e são redescobertos pelo produtor estadunidense Ry Cooder, que viajou para Havana, com o filho, para reunir os artistas do Buena Vista e levá-los para cantar no Carnigie Hall - a mais badalada casa de espetáculo da ilha de Manhattan, em Nova Iorque. No pano de fundo, uma Cuba envelhecida, casas sem manutenção, carros que parecem latas velhas, uma comunidade humilde. E a exuberância de um povo charmoso e autêntico, simpático e querido. Isso fascina Ry Cooder e o filho dele, enebriados pela mágica latina. Quando os cubanos vão aos Estados Unidos, saindo da velha Cuba, se encantam com os prédios, com as luzes da modernidade e do capital, que costuma mesmo cegar alguns. Mas é nítida a dicotomia: o americano se encanta com os pessoas incríveis, fartas em Cuba, e os cubanos com as coisas que o dinheiro pode comprar.Bj NegrãoKeka
13 de Março de 2008 11:48

Dantas, iG, Citibank e o despejo do Conversa Afiada


por Cláudio Gonzalez


Os poderosos e bilionários interesses do setor de telecomunicações tentaram, mais uma vez, calar a voz daqueles que apontam as maracutaias praticadas pelos grandes empresários do setor, cujo ícone é Daniel Dantas. O jornalista Paulo Henrique Amorim e seu site, Conversa Afiada, são as mais novas vítimas desta corporação mafiosa que hoje controla boa parte dos veículos de comunicação do país. Após ser sumariamente despejado do iG, portal pertencente à Brasil Telecom, Amorim declarou: ''podem ter tido a intenção de me calar, mas não basta. Tem que fechar a internet, antes''.

Já é do conhecimento até do mundo mineral ---como diria Mino Carta-- que o site Conversa Afiada foi abruptamente despejado do portal iG na tarde de terça-feira (18). O iG não deu nenhuma explicação aos seus leitores e retirou do ar todo o conteúdo que estava hospedado no referido site. Isso obrigou o jornalista Paulo Henrique Amorim, editor do Conversa Afiada, a migrar às pressas para um novo endereço: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/

Foi neste novo endereço, no início da noite desta quarta-feira (19), que Amorim revelou as primeiras pistas sobre os reais motivos de seu desligamento do iG. Segundo ele, uma matéria postada no último dia 10 de março, revelando o jogo de interesses empresariais envolvendo o Citibank --que é um dos principais acionistas da Brasil Telecom, que por sua vez é controladora do iG-- e o conhecido e suspeitíssimo empresário Daniel Dantas, foi a gota d´água para que os dirigentes da empresa pedissem sua cabeça.

A Brasil Telecom está em processo de negociação para se juntar à operadora de telefonia Oi e criar o que Amorim apelidou de ''BrOi'', uma megaempresa do ramo de telecomunicações. Para isso, teria que resolver uma pendenga jurídica com o empresário Daniel Dantas que é alvo de um processo movido pelo Citibank nos Estados Unidos. Amorim denunciou a ação ardilosa que estava por trás desta negociata e, por isso, foi demitido. Resumidamente, é essa a hipótese inicial para o despejo do Conversa Afiada do portal iG, com o qual Amorim tinha contrato válido até 31 de dezembro de 2008.

Quem é Paulo Henrique Amorim

Repórter e correspondente internacional na maior parte de sua carreira, o jornalista Paulo Henrique Amorim é um dos âncoras mais conhecidos da TV brasileira. Segundo dados da enciclopédia virtual livre Wikipedia, Amorim trabalhou durante vários anos na revista Veja e na Rede Globo, tendo aberto sucursais para esses veículos em Nova Iorque e Londres. Conhece por dentro estas empresas e hoje é um dos maiores críticos do jornalismo praticado por elas.

Entre os anos de 1997 e 1999, esteve na TV Bandeirantes, onde apresentou o Jornal da Band e o programa Fogo Cruzado. Na TV Cultura, onde trabalhou entre 2001 e 2003, apresentou o talk-show ''Conversa Afiada''. Mudou-se para a Record em 2003, onde já apresentou o Edição de Notícias e o Tudo a Ver. Desde fevereiro de 2006 apresenta o programa Domingo Espetacular, com Lorena Calábria. Antes de ir para a Record, trabalhava no portal UOL. Em 2007, levou para o iG seu site/blog ''Conversa Afiada''.

Uma das características de Amorim, que o distingue dos demais jornalistas da grande imprensa, é que ele deixa claro suas preferências e opiniões políticas. Em quase todos os comentários que faz no Conversa Afiada, oferece um link para um conteúdo que ele intitulou ''Não como gato por lebre''. Nele, Amorim elenca os personagens e ''coisas'' das quais não gosta. A lista é encabeçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e em seguida por Daniel Dantas. E inclui também a Rede Globo, a ''Imprensa farisaica'' --que mais tarde ele apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista)-- e o governador de São Paulo José Serra (PSDB) -- que Amorim trata ironicamente como ''presidente eleito, o último autoritário''. Quem fala mal do Rio de Janeiro e de nordestino, a capital Brasília, gatos, urnas eletrônicas e até o Flamengo também estão na lista de Amorim. Mas os personagens políticos são as vítimas preferenciais de seus comentários e reportagens, sempre muito ferinos.

Contrariar e denunciar essa gente nunca foi tarefa fácil para nenhum jornalista, mesmo os mais à esquerda. Amorim era uma das poucas vozes com espaço na grande imprensa que tinha coragem de colocar o dedo nas feridas mais doloridas do tucanato e dos poderosos interesses de Daniel Dantas. Mas sua audácia foi tolerada por pouco tempo. Ao denunciar maracuatias que envolviam interesses do próprio portal onde escrevia, foi obrigado a se retirar.

Hoje, em seu novo endereço virtual, prometeu continuar com o Conversa Afiada na mesma linha que vinha mantendo no iG. ''Não é a primeira vez que me mandam embora de uma empresa jornalística. Só o Daniel Dantas me “tirou do ar” duas vezes: na TV Cultura e no UOL. E ele sabe que não vai me tirar, nunca...'' (...) ''Essa é a virtude da internet: último reduto do jornalismo independente'', disse Amorim em uma nota de esclarecimento sobre sua demissão no iG.

O que é o iG

O iG é parte do Internet Group, unidade de Internet da Brasil Telecom, que reúne os portais iG, iBest e BrTurbo. É hoje o maior provedor discado da América Latina e o segundo provedor de banda larga do Brasil. Está entre os quatro maiores portais de conteúdo do Brasil, perdendo para o UOL e o Globo.com e revezando posições no ranking com o Terra.

O iG surgiu em 2000 e começou como um provedor de acesso, apostando todas as suas fichas no oferecimento de acesso gratuito --''internet grátis'' era seu lema. Atualmente presidido por Caio Túlio Costa (ex-Folha), o portal foi concebido e administrado em sua fase inicial pelo publicitário Nizan Guanaes, muito ligado aos tucanos e responsável pelas campanhas presidencias de Fernando Henrique. A fase inicial contou com o aporte da GP Investimentos (Telemar) e do Opportunity (Brasil Telecom), tendo como sócios fundadores Nizan Guanaes, Aleksandar Mandic e Matinas Suzuki.

Em 2004, o iG passou a ser exclusivamente do grupo grupo BrasilTelecom e fundido, em 2006, aos portais iBest e BrTurbo, que já eram de propriedade da empresa de telefonia.
Além de provedor, o iG também é conhecido pelo seu portal, que abriga sites importantes como o noticiário Último Segundo. Também abriga o Babado, o Minha Notícia, o Megaplayer, Baixaki, iG Empresas, Second Life em sua versão brasileira e o Observatório da Imprensa, entre vários outros sites.

Recentemente, abriu espaço para que uma série de jornalistas e figuras públicas hospedassem seus blogs no portal. Entre estas figuras estão nomes com forte trajetória na esquerda como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente da UNE, Gustavo Petta; o petista Luiz Favre e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e também jornalistas que remam contra a maré neoliberal dominante na grande imprensa como Mino Carta, Luis Nassif, Leonardo Sakamoto, entre outros.

Explicação oficial: ''desvantajoso''

O ombudsman do iG, Mario Vitor Santos, ficou em cima do muro ao comentar a decisão do portal de despejar o Conversa Afiada. Primeiro, disse que tudo não passa de uma ''decisão empresarial'' e nas entrelinhas revelou o ''x'' da questão: ''Não se discutem opções empresariais que fazem parte das atividades de qualquer empresa. Caberia, porém, um esclarecimento público e voluntário do portal sobre a ruptura com Amorim e sobre sua relação com temas sensíveis, como o processo de compra, pela Oi, da Brasil Telecom, proprietária deste iG. Amorim é crítico radical desta compra e tem atacado os que a defendem''.

Depois dessa explicação sucinta, Mario Vitor Santos se limitou a publicar a lista de e-mails que recebeu dos leitores. Uma lista grande, que dá visibilidade à opinião dos leitores do portal, mas que também ajuda a esconder os reais motivos que levaram o iG a tomar a decisão de despejar o Conversa Afiada. O ombudsman diz ter recebido pouco mais de 100 mensagens de internautas comentando o caso. Estranho. O Blog do Nassif, até a noite desta quarta-feira, já havia recebido mais de 150 comentários sobre o assunto. O blog de Mino Carta recebeu mais de 300 comentários. Outros blogs que trataram do tema também receberam comentários que ultrapassam uma centena. E o ombudsman do iG recebeu só 100 mensagens? E ainda escolheu um comentário grosseiro contra Amorim para abrir sua primeira lista?... Estranho, tão estranho quanto a explicação oficial do iG para o despejo do Conversa Afiada.

Segundo Vitor Santos, a explicação oficial do portal é de que ''o iG que vem fazendo uma reestruturação do portal, o que inclui a 'rescisão de contratos desvantajosos para a empresa'. Era o caso do site de Paulo Henrique Amorim, o qual, segundo o iG, não trazia 'receita nem audiência'.

Números desmentem o iG

Porém, números do próprio iG desmentem a versão do portal. Um levantamento publicado no blog ''Vi o Mundo'', do jornalista Luiz Carlos Azenha, revela que em setembro de 2007 o site de Paulo Henrique Amorim teve 475.113 visitantes únicos e 3.295.935 páginas vistas, ou ''impressões''.

Para efeito de comparação, Leandro Guedes, internauta que fez o levantamento, analisou outros sites hospedados no iG. O do Observatório da Imprensa, por exemplo, teve em novembro de 2007 um total de 181.745 visitantes únicos, com 504.221 páginas vistas. Muito menos que o Conversa Afiada. Nem por isso foi retirado do ar.

Leandro nota que o site Conversa Afiada era um dos puxadores de audiência do iG, aparecendo na propaganda institucional que a empresa mostra em monitores que, em São Paulo, estão espalhados em farmácias da rede Drogasil e no aeroporto de Congonhas, por exemplo.
Portanto, a desculpa de ''baixa audiência e pouco retorno'' usada pelo iG como justificativa é, na verdade, conversa fiada.

Blogosfera participa

A maneira espúria como o site foi tirado do ar, sem nenhum aviso prévio aos leitores do iG e com um reles comunicado por fax ao jornalista Paulo Henrique Amorim, foi alvo de muitas críticas em diversos blogs.

Luiz Carlos Azenha disse que ''o que o iG fez com Paulo Henrique Amorim e com os milhares de internautas que freqüentavam diariamente o Conversa Afiada foi, para dizer o mínimo, um grosseiro desrespeito.'' Segundo Azenha, ''ontem foi um dia histórico para a internet e o jornalismo eletrônico brasileiro. Pela primeira vez, ao menos que seja de meu conhecimento, um site foi desplugado do ar sem qualquer aviso aos internautas, sem qualquer explicação oficial da empresa hospedeira''.

O jornalista Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com, registrou a polêmica decisão do iG e foi certeiro na análise do fato. ''Não sei se foi o Daniel Dantas, o Citibank, a Veja ou o José Serra que tirou PH do ar, mas sei a quem ele incomodava. Diante disso, entende-se o ânimo exaltado das pessoas. O que parece ter entrado em jogo é a liberdade de expressão, que tentam cercear nos jornalistas que não rezem pela cartilha dos grandes meios de comunicação'', disse Guimarães.

Mino Carta, editor da revista CartaCapital, resolveu abandonar o blog que mantinha no iG em solidariedade a Paulo Henrique Amorim. ''Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos'', disse Mino em seu post de despedida do iG.

Luis Nassif registrou o episódio e desejou a Paulo Henrique ''todo sucesso no seu novo endereço, e que entre no ar o mais rapidamente possível''.

Outros blogueiros do iG, como Gustavo Petta, também se solidarizaram com Paulo Henrique Amorim. Já o ex-ministro José Dirceu, sempre atento ao que circula na mídia, não comentou. O blog Amigos do Presidente Lula também não tocou no assunto. Comentários surgidos aqui e ali sugerem que há interesses de petistas e gente do governo na ''BrOi'' e isso explicaria o silêncio. Mas são suposições sem provas até o momento. Já o site do PT reproduziu texto de Azenha sobre o episódio.

O Vermelho, com o presente texto, também se solidariza com Paulo Henrique Amorim, cujas corajosas denúncias e diversos comentários foram muitas vezes reproduzidos neste portal.
Ironicamente --ou não-- dois importantes espaços, Blog dos Blogs e Observatório da Imprensa, que deveriam, por dever de ofício, comentar o tema, não deram uma linha sobre o assunto até a noite de ontem. Ambos estão hospedados no iG e foram muito rápidos e faceiros ao denunciar a ''ameaça à liberdade de imprensa'' quando a Folha de S. Paulo e outros jornais foram alvos de ações judiciais movidas por fiéis da Igreja Universal. Mas, para estes dois sites, parece que o despejo do vizinho Conversa Afiada não configura ameaça nenhuma à liberdade de imprensa.
Internautas estão revoltados

Apesar da indiferença mostrada por alguns colegas de profissão, os internautas não deixaram barato e encheram a área de comentários com críticas à postura do iG. ''O iG passa a fazer parte, oficialmente, do PIG (Partido da Imprensa Golpista) --termo cunhado por Paulo Henrique Amorim''. Esta é a tônica das milhares de mensagens que passaram a circular na blogosfera e em correntes de e-mails logo depois que o Conversa Afiada foi retirado do ar.

Destacamos aqui uma das mensagens endereçadas ao ombudsman do iG. Ela foi escrita pelo internauta que assina como Almir Wagner e sintetiza a revolta dos leitores do Conversa Afiada: “Fiquei profundamente chateado ao tentar acessar sem sucesso, por várias vezes, o blog do Paulo Henrique Amorim. Fiquei profundamente decepcionado ao saber que o mesmo foi tirado do ar com argumentos inconsistentes. Tá na cara que tem gente por trás disso. Acho isso uma burrice já que um profissional do peso do PHA pode hospedar seu blog em qualquer lugar dentro ou fora do Brasil. Nós leitores, perdemos com isso. O iG perde duas vezes. Perde receita e perde a confiança dos internautas, que foram simplesmente ''chutados'' pelo iG sem nenhum explicação. Eu, particularmente, só entrava no iG por causa do PHA. A partir de agora não entrarei nesse site nem que me paguem. E vou tratar de espalhar a notícia entre meus amigos.''

Como fica o iBest?

Muitos dos internautas que abordaram o assunto, além de sugerir um boicote ao iG, também propuseram boicote ao prêmio iBest, que está ligado ao portal da Brasil Telecom.

O Conversa Afiada, até o momento, lidera a disputa pelo prêmio de ''melhor site de política'' com 18% dos votos. O Vermelho vem em seguida com 16% e o portal do PT em terceiro com 13%.
Amorim já adiantou que não pretende continuar disputando o iBest e levantou dúvidas sobre a idoniedade do concurso. O Vermelho, que concorre na mesma categoria do Conversa Afiada (Cidadania/Política), acha prematuro abandonar a disputa pois não tem elementos para aferir se o concurso está sendo ou não ''monitorado'' politicamente. A princípio, e até que alguma evidência indicando o contrário surja, queremos acreditar que o iBest respeitará a vontade dos internautas e, nesse sentido, continuamos disputando e pedindo que os leitores do Vermelho votem no iBest.

Ainda nesta quarta-feira, o iBest providenciou a mudança do link que acompanhava o site Conversa Afiada na página de votação. Foi retirado o link anterior, que direcionava para a página hospedada no iG, e substituído pelo novo endereço do Conversa Afiada (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/ ). Este procedimento sugere que o site de Paulo Henrique Amorim continuará participando do iBest.

De qualquer forma, o Vermelho pretende encaminhar aos organizadores do iBest um questionamento sobre como ficará a disputa, já que o primeiro colocado na categoria Política foi retirado do ar pelo próprio site que hospeda o iBest.

Aliás, a própria situação do Conversa Afiada no iBest é mais um argumento que ajuda a derrubar a desculpa esfarrapada do iG para defenestrar Paulo Henrique Amorim. Como pode alegar que o Conversa Afiada era “desvantajoso” e não dava “retorno” se o site de Paulo Henrique Amorim liderava desde o início a disputa pelo prêmio de melhor site de política do Brasil. Prêmio este patrocinado pelo próprio iG, que considera o iBest como o “Oscar da Internet”?

Pode-se gostar ou não do estilo e do tipo de jornalismo praticado por Paulo Henrique Amorim. Mas não se pode negar que a decisão do iG abre um precedente perigoso. Pois, até agora, não se tinha notícia de um ato de censura tão descarado da imprensa brasileira na internet.

Tida com um espaço plural e relativamente democrático, a Internet é um porto seguro para quem busca opiniões divergentes daquelas que são difundidas pelos grandes meios como jornais, revistas, tevês e rádios. Mas, infelizmente, os grandes conglomerados de comunicação estão também se apoderando cada vez mais dos espaços virtuais, empurrando a divergência e o olhar crítico para recantos de menor visibilidade.

Cabe a cada internauta responder a esta ofensiva usando sua participação ativa na Internet como arma de contra-informação. Um enxame de pequenos e médios sites e blogs --como passa a ser agora o Conversa Afiada-- atuando juntos, pode fazer diferença na disputa por espaço com os rinocerontes das telecomuinicações.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Saudades de Ummagumma


De repente me deu uma saudade de Ummagumma, o disco antológico do Pink Floy. Minha coleção do Pink acabou. Tinha de (quase) tudo, de vinil, CD, vídeos em VHS e DVD, livros, mas foi acabando de tanto emprestar.
A maioria dos meus CDs estava como minha filha Nara quando ela era estudante Moda em Campo Grande. Um dia teve um aperto financeiro, não tive como salvá-la e lá se foram meus discos parar numa loja de sebos.

Resolvi procurar Ummagumma na Internet, fussei a comunidade Discografias no Orkut e nada. Lá tem, mas não consigo baixar. Quem tiver ele e quiser me emprestar... oops!, melhor não - me dê logo uma cópia. Ficarei muito agradecido.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Fórum Estadual pela Democratização da Comunicação será lançado dia 26

Uma comunicação de fato democrática, transparente e com responsabilidade social é o que se espera

O Fórum Estadual pela Democratização da Comunicação está tomando forma. Nesta quarta-feira, representantes de quatro entidades da sociedade organizada se reuniram na sede do Conselho Regional de Psicologia (CRP) para consolidar o grupo. Na reunião foi definido que o evento de criação e lançamento do Fórum será realizado no dia 26 de março, às 09h, na sede da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat).

A primeira reunião foi realizada no dia 05 de março, a convite do CRP, que segue a orientação do Conselho Federal de Psicologia para a consolidação do Fórum. A partir do primeiro encontro, realizado entre o CRP e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor), foram convidadas outras entidades, associações e instituições a participarem dessa luta.

Na reunião de ontem, além de membros do CRP e Sindjor, estiveram presentes representantes da Adufmat e do Instituto Varzeagrandense de Educação e Faculdades Integradas (IVE). A expectativa é que na próxima reunião, marcada para o dia 18 de março (terça-feira), novas entidades passem a integrar o grupo.

De acordo com a vice-presidente do CRP, Marisa Helena Alves Batista, a Psicologia já vem a um bom tempo estudando a mídia e a subjetividade. "A classificação etária, o conteúdo, a forma como as mensagens chegam até as pessoas são de interesse da Psicologia", ressaltou ao expor os motivos que levaram o CRP a puxar essa discussão em Mato Grosso.

A expectativa é de consolidar o Fórum para que as discussões sobre a democratização da comunicação cheguem a toda sociedade. Uma comunicação de fato democrática, transparente e com responsabilidade social é o que se espera. Nesse sentido, o Fórum também consolidará as discussões e a organização do Estado para a Conferência Nacional de Comunicação.

MARCIA RAQUEL

quarta-feira, 12 de março de 2008

Alexandre Garcia é uma piada

O jornalista Alexandre Garcia, comentarista do Bom Dia Brasil, é mesmo uma piada. Em seu afã de falar mal do governo Lula e de Hugo Chaves acaba comentendo tolices que deixam os telespectadores mais críticos com vergonha da televisão brasileira. O cara brinca com a inteligência dos outros. Hoje, comentando sobre os espanhóis que estão sendo barrados no Brasil dentro da Lei da Reciprocidade, já que brasileiros estãos sendo não apenas barrados, mas também presos e humilhados na Espanha, Garcia insinuou que o governo brasileiro estava tomando tal atitude só porque o rei da Espanha mandou Chaves calar a boca. É brin-ca-dei-ra!

A reunião de 8 de março de 2008

Por Flávio Aguiar

Das 10 horas da manhã às 18h30 aproximadamente, estiveram reunidos na sala Minas Gerais do Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, 42 jornalistas, professores ou simplesmente pessoas atuantes na área das comunicações, de alguma forma ligados todos e todas ao campo da chamada ''imprensa ou mídia alternativas''. A qualificação ''alternativa'' é contestada por muitos, e essa contestação apareceu na própria reunião. Houve reivindicação de que ao invés de ''imprensa alternativa'' se falasse de uma ''imprensa de esquerda''.

Como não houve deliberação neste sentido (aliás, não houve propriamente ''deliberação'' na reunião, embora haja pontos consensuais que apontam para futuras ações comuns), este relatório continuará a usar os termos ''imprensa ou mídia alternativas'', por serem eles que presidiram o espírito da convocação. E por ''alternativa'' entendia-se uma imprensa ou mídia de resistência ao esforço da mídia que se auto-proclama ''grande imprensa'' (outro termo contestado seguidamente) por impor uma hegemonia conservadora na construção e disseminação da informação no Brasil (na América Latina e no restante do mundo), hegemonia esta que se identifica hoje com o pensamento neo-liberal consagrado no Consenso de Washington.

Todas as falas ressaltaram a importância histórica do encontro, que reunia numa mesma sala dezenas de periódicos, páginas de internet, iniciativas no campo do rádio e da TV (muitos poucos, conforme várias observações) e dezenas de comunicadores, alguns envolvidos na ''guerra da informação'' no Brasil há quatro ou cinco décadas. Foram relembradas experiências valiosas, como as da cadeia de jornais ''Última Hora'', as da imprensa alternativa de oposição ao regime de 1964 (quando, inclusive, aquele termo surgiu, como alternativa ao termo, também comum, de ''imprensa nanica''), mas a preocupação de todas e todos era muito mais com o presente e com o futuro.

Ressaltou-se a ausência de gente ''mais jovem'', pois com poucas exceções, todos os presentes passavam dos trinta anos de idade, sendo que a maioria ficava na casa dos quarenta e na dos cinqüenta.

A importância dada à realização da reunião vinha da constatação de que ali estávamos em tão grande número, buscando formas comuns de ação e de consenso, mas reconhecendo e celebrando também a nossa diversidade e multiplicidade e, aliás, partindo delas. Isso poderia abrir uma nova tradição nesse tipo de reunião, pois a tradição vigente rezava que quando se reunia tanta gente era para promover algum tipo de ''racha'' iminente.

Houve falas no sentido de que essa tradição dos ''rachas'' provinha da ''partidarização'' anterior desse tipo de imprensa (num tempo, nunca é bom esquecer, em que os partidos eram proibidos, exceto os criados pela ditadura de 64) para que, não raras vezes, convergiam experiências e militâncias condenadas à clandestinidade.

Todas as falas tocaram no tema da ''Formação'' como algo essencial a ser permanentemente discutido e rediscutido, indo além do tratamento de uma ''imprensa corporativa'' como alvo de mercado a ser perseguido pelos alunos, em favor da discussão de uma ''cultura de resistência''. Propôs-se também a valorização da formação fora das universidades, em seminários e outras iniciativas semelhantes feitas, por exemplo, nas periferias das grandes cidades, sindicatos, associações, etc.

Insistiu-se na necessidade da criação de pontos, portais e/ou materiais de referência de um jornalismo alternativo ou de esquerda. Tal objetivo visava lutar contra o esquecimento em várias frentes. Por exemplo, citou-se que num curso de jornalismo os estudantes não conheciam mais quem era ou fora Leonel Brizola. Falou-se muito da existência de ''não-fatos'', aqueles que são sistematicamente esquecidos, postos de lado ou simplesmente censurados por orientação ideológica. Lembrou-se de que na ''grande imprensa'' passou a ser tão ou mais importante do que pautar o que deve ser exposto, pautar o que deve ser oculto ou só mencionado em último caso.

Foi consenso também a ampliação constante dos campos de conexão, sinergia e integração entre os projetos (incluindo mais sistematicamente as experiências de rádios, rádios comunitárias e tevês) alternativos ou de esquerda, estabelecendo redes mediante uma lógica colaborativa e não centralizadora.

Todas as falas ressaltaram a necessidade de se manter a perspectiva da diversidade, de estimula-la, de valorizar as diferenças, não só porque essa era a condição da existência da reunião, mas porque esse é um conceito fundamental diante da cada vez maior indiferenciação da ''grande imprensa'', que, no Brasil, possui um epicentro cada vez mais atuante no grande conglomerado formado pela tevê, em particular a rede Globo. A tevê, mais o rádio, e também a internet, são responsáveis pela consolidação do noticiário do dia. Numa função secundária, esse noticiário é comentado à noite, em programas de tevê. E numa função terciária, a imprensa escrita organiza um ''relatório comentado'' no dia seguinte dirigido aos agentes ''formadores da opinião'', em geral conservadora, do país.

''Valorizar as diferenças'' como elemento decisivo da informação democraticamente construída não significa valorizar ou submeter-se à dispersão. Deve-se estimular a colaboração concreta entre os projetos, sob a forma de links, pautas comuns, encontros parciais ou novos encontros desse tipo ou grupo, ampliando seu espectro para todas as regiões do país e também da América Latina.

Ressaltou-se muito a questão do espaço latino-americanos, não só como área onde se busquem novos parceiros, mas como tema central da luta pela informação democrática. Houve várias menções à cobertura parcial na ''grande imprensa'', com vistas à demonização ou desqualificação dos presidentes Correa e Chávez, e a absolvição velada de Uribe, ainda que se condenasse em quase todos os veículos a invasão de um território soberano, que foi o do Equador. Embora condenada, a agressão de Uribe era invariavelmente apresentada como ''defesa'', diante de uma Farc já demonizada desde sempre.

A América Latina é tema complicado para a ''grande imprensa'', uma vez que a maioria dos seus comentaristas a têm desqualificado sistematicamente como espaço político. Houve comentários na reunião de que neste sentido a ''grande imprensa'' não é só de direita, mas também guarda um espírito colonizado, provinciano e anacrônico diante das novas realidades da geopolítica mundial, e que esse espírito se estende, por exemplo, à articulação política do PSDB e do DEM, cujo retorno ao governo federal poderia representar um enorme retrocesso estratégico na política externa brasileira. De resto, destaco, como relator, que esta foi a única referência diretamente partidária feita na reunião.

Outro tema largamente abordado foi a questão da sustentabilidade e da viabilização econômica dos projetos, destacando-se a necessidade de se reivindicar uma reorientação das políticas públicas para a área das comunicações, no sentido de diversificar sua abrangência, seu alcance e a natureza dos projetos subsidiados mediante patrocínio, publicidade ou financiamento através de agências estatais (como o BNDES), rompendo o quase monopólio dos chamados ''critérios de mercado''.

Discutiu-se a necessidade de levar essa e outras reivindicações, como a de colocar os Correios de alguma forma à disposição da imprensa alternativa, pessoalmente ou mediante comissão às autoridades públicas envolvidas. Dever-se-ia reivindicar também que as sinopses públicas, como as da Radiobrás, que são inclusive distribuídas internacionalmente por embaixadas brasileiras, abram espaço para veículos alternativos. Essa discussão se deu na moldura de destacar o papel relevante do Estado numa política de democratização das comunicações.

Esse papel é destacado mediante a consideração de que existe uma ''guerra da informação'', e que essa guerra é assimétrica, pois de um lado há um quase cartel da informação, formado por grandes corporações que tocam afinadas entre si apesar da eventual concorrência por espaços de mercado, e uma miríade de iniciativas pequenas e dispersas, que necessitam de espaços de aglutinação para preservarem, inclusive, a própria especificidade.

Na visão dos participantes o centro da disputa entre os diferentes tipos de mídia se dá na disputa pela agenda social, cultural, política que se propõe (ou se impõe) à sociedade e às agências de políticas públicas em todos os campos. Um exemplo significativo dessa luta se deu nas eleições de 2006: derrotada na sua campanha contra a reeleição de Lula, a ''grande mídia'' continuou na refrega tentando impor, através de seus veículos, a pauta de seu candidato preferencial (ou emergencial...). Conseguiram, pelo menos inicialmente, pois dentro do próprio governo e dos partidos de sua aglutinação permanece hegemônica a visão que privilegia essa mídia como espaço de referência.

Essa luta prossegue hoje porque, uma vez que iniciativas como as do PAC promoveram um deslocamento de referências, existe a tentativa correlata de ignora-las ou distorce-las, em favor da pauta de herança neo-liberal que continua animando aquela mídia. Como essa pauta está em crise, graças ao fracasso das políticas neoliberais na América Latina e no mundo (até na Europa e nos Estados Unidos isso começa a aparecer de modo dramático), um esforço considerável do pensamento conservador expresso na ''grande mídia'' é o de esconder esse fracasso, apresentando-o continuamente como resultado, quando o apresenta, da aplicação apenas parcial ou descuidada da Receita, quero dizer, do Consenso de Washington.

Insistiu-se na ampliação da pauta dos projetos ''alternativos'', que, junto com os ''não-fatos'' ocultados pela ''grande mídia'', devem discutir mais e melhor o próprio tema das comunicações e outros conexos. Entre esses temas está o atual da TV pública, reivindicando que ela também propicie um espaço de aglutinação e divulgação da mídia alternativa. Sugeriu-se que nessa ampliação de pautas se dê especial atenção a temas que implicam conflitos como os colocados entre o jornalista Luis Nassif e a revista Veja; ou a Igreja Universal e a Globo e a Folha de S.Paulo; ou o governo do Paraná e a mídia conservadora, que o mantém sob uma espécie de cerco e assédio constantes; ou às lutas das rádios comunitárias, freqüentemente cerceadas em sua liberdade de existência, e com uma situação precária de subsistência, o que, aliás, compartilha como situação com toda a ''mídia alternativa''.

O encontro encaminhou-se para a conclusão discutindo diferentes temas ligados à idéia da sua continuidade. Discutiu-se longamente sobre a conveniência e a oportunidade de se lançar uma carta como conclusão dele, sobre se essa carta deveria ter a forma de uma carta à Presidência da República, de uma carta à sociedade, ou de uma carta aberta dirigida ao Presidente. Também sobre se ela deveria apresentar reivindicações ou apontar um diagnóstico ou análise, uma agenda de discussão ao invés de demandas diretas. Houve várias manifestações a favor da idéia da agenda, mas houve também a apresentação à mesa de propostas de cartas com reivindicações gerais e específicas. Ao final, neste sentido, prevaleceu a idéia de uma comissão, formada por mim, Flávio Aguiar, por Mauro Santayana, Pedro Rovai e Bernardo Kucinski, que formalize uma proposta de carta e a envie aos demais para amadurecimento da discussão, sem perder de vista à idéia de que não deva haver demora nisso.

Em princípio, fixou-se a necessidade de uma nova reunião desse grupo, provavelmente ampliada, no futuro próximo. A reunião seria realizada no Rio de Janeiro, na UFRJ, e nomeou-se uma ''Comissão Executiva'' para tratar de seu encaminhamento e da natureza dessa ampliação, se, por exemplo, já incluiria jornalistas de outros países, e também da data de realização. Houve sugestões de que ela fosse realizada em abril, o que foi considerado prematuro por alguns; que ela acontecesse no começo de maio, o que se viu como mais viável, ou até mesmo junho.

Também se discutiu uma intensificação das conexões entre essa ''mídia alternativa'' e as universidades, seja como frente de disputa de mercado, seja como abertura para a formação de uma consciência mais crítica e aberta não só entre os estudantes mas também entre os educadores e os jornalistas. Essa visão se deu no âmbito da idéia de que se é verdade que o poder da ''grande mídia'' permanece muito grande, as frinchas em sua buscada hegemonia são hoje mais visíveis, não só pela existência de novas tecnologias que facilitam outras iniciativas nas comunicações, mas pela consciência crescente de que o problema central do jornalismo não é tecnológico, mas ético, e fica mais e mais evidente o fracasso ético das grandes corporações em desenhar uma perspectiva democrática para as comunicações e a sociedade.

Houve várias manifestações em torno da idéia de que os conflitos sociais centrais permanecem sendo os de classe, e que o que opõe essa ''grande mídia'' e a ''mídia alternativa'' é a questão da transformação social e de suas implicações, ainda que hoje se tenha maior consciência de que essa também é uma questão a ser encarada com pluralidade e diversidade no campo ''alternativo'' ou ''de esquerda''.

Nada mais havendo a discutir no momento, encerrou-se a reunião com uma foto comemorativa e a indicação deste relator para elaborar o presente relato.
Agência Carta Maior