domingo, 29 de abril de 2007

Pais são obrigados a advinhar conteúdo de programas de rádio e tevê


Deu no site do Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo):


Pais brasileiros são obrigados a advinhar conteúdo de programas de rádio e tevê

Por Luiz Carlos Azenha

Não gostou (da imagem ao lado)?

O problema é seu.

Você deveria ter o dom de prever o futuro - o mesmo que os pais brasileiros têm, segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Tevê, a Abert.

Como sabemos, o andar de cima no Brasil é dividido em duas turmas: os poderosos de ocasião e os poderosos de sempre.

Entre os "de ocasião" estão aqueles que foram eleitos pelo povo.

Os de sempre... eles sempre mandaram, trocando de pele de acordo com a ocasião.

Donatários das capitanias, senhores de engenho, latifundiários, capitães da indústria e do mato e controladores amotinados do espectro eletromagnético.

Estou falando da liminar obtida pela Abert para barrar a programação de tevê por faixa etária, de acordo com o conteúdo.

A decisão foi saudada por artistas como vitória contra a "censura".

Estatuto do Menor e do Adolescente?

Dane-se. Só vale se for para reduzir a maioridade penal.

"Quem deve decidir o que os filhos assistem na tevê são os pais, não o estado", alegam os indivíduos que representam a Abert.

Sim, isso só é possível no Brasil graças ao dom da clarividência que, como você sabe, pais e mães brasileiros ganham automaticamente - no dia do nascimento do filho.

Este poder de antevisão permite aos pais saber antecipadamente qual será o conteúdo da próxima atração.

Assim, preventivamente, podem retirar os filhos da sala.

É curioso como qualquer tentativa de regulamentar o setor midiático é recebida com gritos de censura!

É um desrespeito àqueles que realmente foram vítimas de censura no regime militar, dentre os quais não se incluem integrantes da ABERT.

O desprezo pela inteligência do público é aviltante.

Os concessionários de um serviço público agem como se fossem latifundiários do espectro eletromagnético.

São os donos do ar que a gente respira.

Você é tratado como consumidor, nunca como cidadão.

Porque, na verdade, você é um dos donos do espectro eletromagnético.

Você banca, com o dinheiro de seus impostos, toda a infra-estrutura montada para permitir o funcionamento das emissoras de rádio e de televisão.

Ou você acha que o Ministério das Comunicações é pago com dinheiro dos radiodifusores?

Em seu nome, o estado brasileiro concede a eles o direito de transmitir sons e imagens.

E se os parlamentares ou o governo que você ajudou a eleger decide criar alguma regra para o setor...

Censura!

Lembre-se. Você é apenas um consumidor. Quer dar palpite? Aí já seria levar a sério essa história de cidadania.

Só eles sempre foram, são e serão cidadãos plenos - inclusive para definir quais são os seus direitos e deveres.

Você tem o direito de comprar.

Você tem o dever de ver e ouvir. Calado, se possível.


Numa enquete promovida pelo Estadão, 77% dos internautas disseram concordar com algum tipo de controle sobre o horário dos programas de tevê.

Foi uma pesquisa não científica.

Duvido que as emissoras de rádio e tevê aceitem fazer e divulgar uma pesquisa do Ibope a respeito.

Wagner Simplício, quem diria, héim!?

Deu no Blog do Romilsom:

Nova chede do PSF está envolvida em escândalo

Simplício, que no PPS se diz o "símbolo da ética", é acusado no processo por tráfico de influência

Um caso de impunidade, alicerçado por tráfico de influência, fraudes e perseguições, vem assustando servidores da saúde pública de Cuiabá. A enfermeira Maria Andrietti Canhetti, contra a qual pesa uma série de denúncias desde 2000, foi nomeada pelo secretário de Saúde, Guilherme Maluf, chefe do Programa Saúde da Família.

No processo seletivo de recrutamento de profissionais para o PSF, ela foi acusada de clonar certificados e diplomas. De quebra, ainda teve acesso, com antecedência, à prova de um concurso público, tudo com ajuda, segundo denúncias, do então diretor-executivo da Fundação de Saúde de Cuiabá (Fusc), Wagner Simplício. Como integrante da ala histórica do PPS em Mato Grosso, o fiscal sanitarista Simplício ainda carrega, na prática, o discurso da ética, transparência e honestidade. O processo envolvendo a enfermeira que virou chefe do PSF acusa, porém, Simplício de ter praticado tráfico de influência.

O escândalo sobre Maria Canhetti e Simplício está sob investigação do Ministério Público. O problema é que Maria Canhetti, "aprovada" em primeiro lugar, assumiu a chefia do PSF e, de acordo com servidores, começou a perseguir pessoas que depuseram contra ela no processo na condição de testemunhas.

Há sete anos, a então coordenadora do PSF/Fusc, Rosângela Aparecida Padilha, abriu sindicância para apurar a denúncia de que Maria Canhetti, com forte ligação com Simplício, teria apresentado certificados e diplomados falsificados com vistas a ser contratada como enfermeira do PSF. Os documentos apresentados por ela consistiam em clonagem dos de Nalzita Paixão Martins, que também havia feito inscrição para a mesma vaga.

Verificou-se em 10 documentos fotocopiados a oposição de forma grosseira do nome da hoje chefe do PSF. Sobre o local onde estaria grafado o nome de Nalzita na cópia dos certificados, nota-se ainda que a tipologia empregada é divergente da constante dos documentos apresentados. Nos certificados e diplomas datilografados foi aposto o nome de Maria Canhetti com letras de computador e, já os demais certificados, foram feitos em impressoras e a grafia onde aparece o nome "Maria Andrietti Canhetti" é diferente da original no mesmo documento. Outra prova cabal da falsificação detectada no trabalho de reconferência foi o fato das numerações de registros dos documentos nas instituições que o expediram serem idênticas. Toda essa situação acabou induzindo a erro a banca examinadora, que aprovou o nome de Maria Canhetti para os quadros do PSF.

Posteiormente, ela fez concurso público e foi classificada em primeiro lugar. Nesse caso, pesa sobre Maria Canhetti outra denúncia: a de ter sido beneficiada por Wagner Simplício, com quem tinha bastante afinidade, do resultado da prova antes da realização do concurso.

Suspeição

Em novembro de 2000, Wagner Simplício foi intimado a depor na comissão de sindicância na qualidade de testemunha. Revelou que, como diretor-executivo da Fusc, participou da avaliação do processo seletivo. Disse que analisou documentos apresentados por Maria Canhetti, assim como dos demais candidatos.

Perguntado se tinha conhecimento de que a denunciada apresentou fotocópias junto com os originais no ato da inscrição, Simplício respondeu que não podia afirmar especificamente quanto aos documentos dela. Os membros da comissão de sindicância, então, mostraram ao então diretor-executivo os documentos para sua percepção, a olho nu, de eventual diferença entre originais e falsificados. Concluiu que, de fato, era possível identificar os documentos falsos.

Por fim, a comissão perguntou se Wagner Simplício fazia parte da equipe com a intenção de proteger alguém. Em resposta, ele argumentou o seguinte: "Sempre atuei com transparência, lisura com probidade e não ia me sujar toda uma carreira profissional por um ato de proteção a quem quer que seja para favorecer ou criar tráfico de influência para que funcionário, pessoa ou cidadão seja beneficiado por ato administrativo ou pelas ações do poder público de formas ilícitas ou torpe".

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Terceira edição da Sina será lançada neste sábado, na Casa Fora do Eixo


O terceiro número da revista Sina será lançado neste sábado, 28, na Casa Fora do Eixo (antigo bar do Neurô), a partir das 21 horas. Shows com bandas de rock vão embalar o acontecimento.

Nesta terceira edição, a Sina traz como matéria de capa o drama das famílias de Mata Cavalo, um dos vários quilombos de Mato Grosso, patrimônios culturais que estão sendo ameaçados pela ganância dos poderosos. O texto é assinado por mim.

Também tem a contribuição do reitor da UFMT, professor Paulo Speller, com um texto em que reflete sobre as deficiências do ensino no Brasil. Ainda colaboram nesta edição os jornalistas João Bosquo, Neusa Baptista, Lorenzo Falcão e Enock Cavalcanti.

Bosquo aborda em sua coluna “Com pipoca” a pirataria no mercado de DVDs em Cuiabá. Neusa nos brinda com o conto “Nem num compensa.. vôte!”. Lorenzo assina artigo em que analisa o mercado cultural. E Enock escreve crônica em que homenageia os 288 anos de Cuiabá.

A terceira edição tem ainda muito mais: Carlos Gomes de Carvalho dá seqüência às aventuras de Mestre Biba e seo Gonça; Marielle Ramirez registra os cinco anos do Espaço Cubo e a inauguração da Casa Fora do Eixo; Ataíde Ferreira da Silva Neto fala dos índios Morcegos, na conclusão da série “Mistérios de Mato Grosso”; quadrinhos de Amauri Lobo; poesia de Drummond; e a contra-capa com belíssima foto de Marcos Bergamasco.


quinta-feira, 26 de abril de 2007

A convergência petista e blarista


A convergência entre os petistas e o governador Blairo Maggi tem suas ligações com a conjuntura nacional, afinal PR e PT são grandes aliados no governo Lula e a reaproximação dos dois partidos aqui na provincía faz parte do jogo federal.

Mas é sintomático esse realinhamento. Vem demonstrar duas situações muito interessantes. A primeira é que Blairo Maggi, ao valorizar o PT em sua administração dá uma boa guinada à esquerda. Nem tanto por admitir os petistas com forte presença no governo (Seduc é a pasta mais importante administrativa, financeira e politicamente falando...) contrariando aliados de primeira hora à direita e até mesmo fazendo torcer o nariz alguns expoentes da "turma da botina". É que, por isto mesmo, pessoalmente Blairo é mais oxigenado que seus amigos do que eles gostam de chamar "setor produtivo".

Numa comparação com o governo Dante, um fundamentalista do neoliberalismo, que quis ser mais realista que o rei, Blairo está muito mais à esquerda. Não acabou de vez com o patrimônio público. Ao contrário, fortaleceu a presença do Estado criando companhias essenciais para o desenvolvimento de Mato Grosso: MT Gás, MT Fomento e por aí vai...

Agora, trazendo o PT para debaixo de suas asas, Blairo imprime uma áurea mais progressista ao governo, muito embora os petistas em geral, especialmente os mato-grossenses, estão longe de serem esquerda. O próprio presidente Lula se encarregou de desmitificar isto.

É justamente aqui que se comprova a nova guinada petista - a outra situação interessante. O PT está mudando de campo e assumindo de vez sua postura político-ideológica social-democrata, caminha mais ao centro e corre até o risco de pular para o outro lado do muro. Não que a adesão ao governo Blairo Maggi seja responsável por isto, mas é uma bela contribuição.

Fico aqui recordando os sorrisos generosos do deputado federal Carlos Abicalil com a novidade pras bandas do Palácio Paiaguás. Sua alegria, mais que sintomática, não me causa nenhuma surpresa. Apesar de ser um combativo parlamentar, um ex-sindicalista dedicado, o igrejeiro petista está londe de ser um revolucionário. Pelo contrário, a julgar por algumas de suas movimentações como sindicalista e deputado, beira ao anticomunismo.

Blogs: 73% falam japonês ou inglês; só 2% está em português

Deu no: www.vermelho.org.br

O Brasil é campeão de horas on-line na internet residencial, e os brasileiros dominam ferramentas como Orkut e MSN. Mas, quando o assunto são os blogs, o país passa longe da liderança. De acordo com levantamento do site Technorati, o português corresponde a apenas 2% da blogosfera - apesar de aparecer entre os dez idiomas mais "blogados".

Esse universo é dominado pelo japonês, que tem 37% dos posts, seguido de perto pelo inglês, com 36%. "Em relação a outros números da internet do Brasil, isso é pouco", disse Fábio Flaschart, professor da área de internet do Senac São Paulo. "Mas existe um crescimento muito grande nessa área, com a popularização de ferramentas para a criação de blogs, que o usuário iniciante pode utilizar."

Os outros idiomas mais utilizados são chinês (8%), italiano e espanhol (3%, cada), russo e francês (os mesmos 2% que o português), além de alemão e persa (1%). O persa é a novidade da lista, impulsionado pelo crescimento no número de blogueiros do Oriente Médio, especialmente no Irã. A porcentagem restante, 5%, é composta por outros idiomas em menor proporção.

Em relação à quantidade de pessoas que falam português no mundo, a baixa representatividade no universo dos blogs pode ter explicação no modo como se utiliza a internet no Brasil - país que responde pela maior parte dos falantes do idioma. "O consumo da web aqui é muito mais passivo. Uma coisa é ter acesso, outra é usar o ciberespaço como ferramenta da expressão. Apesar da popularização do PC e da internet, o aprofundamento ainda é muito superficial", explica Flaschart.

É justamente a questão que faz com que o japonês seja o idioma mais presente nos blogs. Apesar de não ter a mesma abrangência mundial que o inglês, "a facilidade de acesso que os japoneses têm a instrumentos digitais é enorme. Além disso, os aparatos e o acesso são muito fáceis e baratos", conta o professor.

Utilização

O Technorati monitora mais de 75 milhões de blogs - e observa a criação de 120 mil outras páginas do tipo diariamente pelo mundo, além de cerca de 1,5 milhão de novos posts por dia. O número de blogs entre as páginas mais visitadas no mundo também cresceu: hoje, há 22 nesta lista, contra 12 da anterior, correspondente à pesquisa divulgada em outubro de 2006.

O aumento mostra maturidade e solidificação. "Antigamente, o blog era apenas um diário digital. Hoje empresas, meios de comunicação, professores e outros profissionais constroem suas páginas nesse formato. Com isso, aumentam sua inserção entre os usuários", explica Flaschart.

O horário e a quantidade de postagens também são dados interessantes para mostrar como atua a comunidade dos blogs em cada idioma. Os posts em inglês e em espanhol costumam aparecer de maneira semelhante em todos os horários do dia, ao contrário dos em japonês, chinês e italiano, que têm publicações mais restritas a determinados períodos do dia, confirmando sua menor distribuição geográfica no globo.

Com o monitoramento dos horários das postagens feito pelo Techorati, observou-se também que há uma grande quantidade de blogueiros utilizando o horário de trabalho para colocar conteúdo na web.

Da Redação, com informações do G1

terça-feira, 24 de abril de 2007

Blairo viaja e policiais ficam na mão



O governador Blairo Maggi zarpou para Nova York e deixou a questão salarial dos policias militares sem uma solução definitiva. Não deixa de ser preocupante tal postura. Demonstra um certo descaso com uma área fundamental para a população. É esperar e torcer para que tudo continue sob controle até o retorno. Mais uma batata quente nas mãos de Carlos Brito.

Zied é um show


Que a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso é hoje um grande espetáculo no cenário cultural mato-grossense e nacional, tudo mundo já sabe. Agora, que um de nossos melhores seresteiros também manda muito bem acompanhado dela, só confirmou mesmo que foi aos concertos do último final de semana, no Sesc Arsenal.
Além das excelentes peças apresentadas dos compositores eruditos homenageados, a Orquestra tocou três músicas populares tendo como solista ninguém menos que Zied Coutinho. Ele foi pura emoção, especialmente em viagem.
Zied é tio do colega e amigo jornalista Marcos Coutinho, que, aliás, é um grande instrumentista, um dos melhores intérpretes de clássicos da MPB que eu conheço. A benção...

Ainda sobre Totó Paes

Participei de entrevista com o históriador Alfredo da Mota Menezes, no programa Pela Ordem, comandado pelo colega Onofre Ribeiro, na TV Assembléia. O assunto, óbvio, foi o lançamento do livro sobre a morte de Totó Paes. Sempre bom de papo e, claro, muitíssimo bem informado sobre o tema, Alfredo deu um show: entrevista muito esclarecedora, descontraída e bem-humorada.

'Carlos Lacerda'

Reproduzo comentário do leitor Carlos Lacerda (?) postado sobre o texto anterior:

"Fazer um livro sobre um personagem assim histórico tem lá sua relevância, pois, curiosidades me afloram. Espero ter a chance de ter em mãos tal obra literária, e espero que tenha o autor citado algo referente ao massacre da Baía do Garcez, esse sim creio que seria um bom tema, cujo personagem central da obra citada foi mencionado e nada acusado, mas seu irmão estava entre os envolvidos. O fato da morte de "Tótó" ou Totó creio que foi devido ao fator mais comum das mortes no estado de Mato Grosso, vingança e, óbvio, estúpidez, coisa de homem. Valeu pela dica."

domingo, 22 de abril de 2007

Alfredo da Mota Menezes investiga a morte de Totó Paes


A história de Totó Paes é intrigante, sobretudo sua revolução perdida e seu assassinato misterioso. Tive a oportunidade de conhecer muito de sua história pelas mãos do professor Alfredo da Mota Menezes, com certeza o intelectual mais atuante de Mato Grosso e um dos mais destacados do Brasil. Foi ele que me subsidiou com valiosas informações para matérias que escrevi sobre Totó, o ex-presidente do Estado, Antonio Paes de Barros, morto há quase 101 anos. Esta morte foi uma das grandes incógnitas da nossa história.

Alfredo estava muito intrigado com isso, me revelou em entrevista, e estudava a fundo. Queria saber porque mataram Totó e não apenas o prenderam depois de derrotá-lo, como ocorreu com outros personagens em outras revoluções no Estado. Esse era o grande enigma, agora decifrado por Alfredo, que acabou gerando o livro "A morte de Totó Paes - Política no interior do Brasil", editado pela Carlini & Caniato Editorial, dos amigos Ramon e Elaine. A obra será lançada nesta quarta-feira, 25, às 18h30, no saguão da Assembléia Legislativa.

Reproduzo abaixo texto enviado pela editora:

A Morte de Totó Paes – política no Interior do Brasil
Autor: Alfredo da Mota Menezes

Totó Paes ou Antonio Paes de Barros foi morto em 1906 quando governava Mato Grosso. Sua usina de açúcar, Itaicy, era a mais bem aparelhada do estado na época. Sua morte é até hoje motivos de acesos debates. O livro procura entender por que se chegou àquele desfecho. A busca do autor foi pelos fatos políticos que estavam envolvidos o estado desde a proclamação da República em 1889 até a morte do governador.
Não dá para separar aquele acontecimento das várias disputas políticas que viveu o estado. Eram os grupos e partidos políticos procurando preencherem os espaços surgidos com o novo regime no país. E nessa tentativa, Mato Grosso passou por três “revoluções”. Uma em 1892, outra em 1899 e a última, em que perdeu a vida o governador Antonio Paes de Barros, em 1906. Fatos ocorridos nos governos dos presidentes Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Campos Sales e Rodrigues Alves ajudam a empurrar a política em Mato Grosso em direções diferentes. O livro mostra que o que acontecia no estado não eram fatos isolados, estava conectado com os acontecimentos nacionais. E até mesmo aos internacionais.
O Tratado de Petrópolis de 1903, com a cessão do Acre ao Brasil pela Bolívia, é um dos fatores que ajudou a botar fogo nas relações políticas do estado. Impressiona também como a força militar federal sediada em Mato Grosso interferia nos assuntos políticos locais. Chama atenção ainda a estreita ligação do estado com os países da Bacia do Prata. A hidrovia Paraguai-Paraná unia os diferentes interesses.
Mas o foco principal deste livro é saber quais motivos, principalmente os políticos, levaram à morte de Totó Paes. Não há bandidos ou heróis no palco de disputas em que se transformou o estado naquele período. Talvez o mais trepidante e instigante momento político que o estado já passou. O livro mostra o que estava por trás disso tudo.
Será que o governador foi assassinado ao invés de ter sido morto numa luta com seus perseguidores? Por que ele não foi capturado vivo? A quem interessava sua morte?
O foco principal deste livro é saber quais motivos, principalmente os políticos, levaram à morte de Totó Paes, ou Antonio Paes de Barros, morto em 1906 quando governava Mato Grosso.
Não há bandidos ou heróis no palco de disputas em que se transformou Mato Grosso naquele período. Talvez o mais trepidante e instigante momento político que o estado já passou. O livro mostra o que estava por trás disso tudo.

Sobre o autor
Alfredo da Mota Menezes nasceu em Poxoréo-MT. Publicou os livros: A herança de Stroessner: Brasil-Paraguai, 1955-1980 (Campinas: Papirus, 1987). Este livro foi publicado no Paraguai como La herencia de Stroessner (Assunção: Editora Carlos Schaumam, 1990); Do sonho à realidade: a integração econômica latino-americana (São Paulo: Alfa Ômega, 1990). Guerra do Paraguai: como construímos o conflito (São Paulo: Contexto, 1998); Coisas do cotidiano (Cuiabá: Millenium, 2003); Os blocos econômicos nas relações internacionais (Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2006); e Momento brasileiro: do fim do regime militar à eleição do Lula (Rio de Janeiro: Gryphus, 2006). O autor é PhD em História da América Latina, pela Tulane University-EUA, onde fez também o pós-doutorado e lecionou como professor visitante. Foi professor titular na Universidade Federal de Mato Grosso. É articulista no jornal A Gazeta, desde 1991.

Contatos:
Editora TantaTinta/Carlini & Caniato
(65)3023-5714/5715
comercial@tantatinta.com.br

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Almoço com os 'senadores'

Tive o grande prazer e honra de almoçar hoje com os integrantes do Senadinho. Sentei ao lado do meu amigo e guru Aecim Tocantins, um dos meus exemplos de vida, uma inspiração. Emocionante demais compartilhar daquele momento com um grupo de homens que ajudaram a fazer a história de Cuiabá e Mato Grosso. São eles a própria história viva.

Ficava ali meio que vislumbrado, tentando identificar cada um e sua história. Quem era de esquerda; quem pendia para a direita. Quem foi isso e aquilo. Mas o que mais me impressionava era o significado daquele grupo, a própria história dele, como se organizou (espontaneamente?) e os critérios que eles adotam para o ingresso de membros. Já li sobre tudo, mas não me lembro exatamente.

Ali naquele instante ficava matutando. "Estou aqui, no meio desses expoentes da cuiabania, logo eu, um comunista de 47 anos, já pendendo para a terceira idade. Será que vou chegar nuns 70, 80 ou 90 anos, como a maioria que está aqui? E com o vigor de muitos?". Tantos pensamos...

Saí de lá com uma sensação muito boa: a de que a vida sempre vale a pena. E como diz o poeta: quando a alma não é pequena. Sim, porque as almas daqueles homens são enormes e, com certeza, quem souber aproveitar, as terão nos iluminando.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

OAB: dois pesos, duas medidas

Interessante a postura da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, ao exigir no Supremo que a Polícia Federal respeitasse "direitos" dos presos na Operação Furação e prerrogativas de seus advogados. Não se tem notícias de tamanho esforço da OAB quando os presos são os milhares de ladrões de galinhas por este Brasil afora. Como são juízes, entre eles um desembargador, e outros poderosos de plantão, a euforia da OAB é indisfarçável. Mas no caso daqueles que cometem pequenos delitos e estão apodrecendo nas cadeias e penitenciárias do País, poucas vozes se (re) voltam com tanta indignação.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Paulo Monarco é um show

Assistimos no sábado ao show do Paulo Monarco. Maravilhoso. Já ouvi muitas vezes o garoto aí pela noite. Filho do Tadeu (antigo Cantoria), o menino é uma das nossas melhores maravilhas. Excelente instrumentista, compositor e intérprete, Monarco se apresentou acompanhado do "Paulo Monarco Trio", onde se destaca o baterista Sandro, que também é percursionista da Orquestra de Câmara de Mato Grosso. Falando nisso, lá estava o David Gardner, violoncelista da OCMT. Emocionante. Outra participação fantástica foi a do Bolinha e seu sax mágico. E do dj Espinha, que mandou muito bem, apesar de um pouco prejudicado por questões técnicas no palco. Queremos mais...

domingo, 15 de abril de 2007

Aborto, um debate necessário


Particularmente sou contra o aborto. Não por princípios religiosos, ou convicção de outro tiupo qualquer. É por sentimento pessoal mesmo. Acho uma tragédia ter que interromper o desenvolvimento de uma vida. Mas não creio que deva ser considerado crime. Sou, portanto, a favor da descrimilização. É necessário ampliar o debate que começa a gestar na sociedade, ainda restrito aos meios políticos e religiosos. Existe uma grande tragédia na sociedade que são os milhões de abortos que mulhere, por motivos variados, são obragadas a fazer. Invariavelmente são elas vítimas fatais também do ato. Não podemos deixar de debater esse tema, tão polêmico quanto doloroso.

Blairo erra feio e recua na reforma administrativa. Não foi por falta de aviso


O governador Blairo Maggi está voltando atrás na reforma administrativa que implantou no final do ano passado. O motivo são as ações de inconstitucionalidade impetradas por sindicatos de funcionários de órgãos como o Intermat e o Indea. Assim como vários outros, esses dois órgãos são autarquias, e como tal não podem deixar de ter autonomia administrativo-financeira.

Mas não foi por falta de aviso. Desde que resolveu implantar a tal reforma, houve inúmeras contestações. Mas o governador fez ouvidos moucos e preferiu embarcar na do seu secretário de Administração. Empolgado com os holofotes, Geraldo De Vitto seguiu em frente, atropelando a tudo e todos. Dirigentes de várias autaquias tentaram argumentar da insconticucionalidade. Lembraram também que a perda de autonomia causaria prejuízos na captação de recursos e convênios. Tudo em vão. Seguiram em frente e deram com os burros n'água.

Isto é que dá fazer as coisas sem discutir amplamente com a sociedade e, em especial, com os setores mais diretamente interessados no assunto. Mas a (i) responsabilidade não é exclusiva de Blairo Maggi. Deve ser também creditada à Assembléia Legislativa. Os deputados, com amplíssima maioria, praticamente assinaram um cheque em branco para o governador, aprovando a reforma sem debates consistentes. Não tive notícia de uma audiência pública sequer para debater o assunto.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

"Folha" e Henry Sobel: A estranha história de uma errata

Deu no www.vermelho.org.br

Confira o artigo "A estranha história de uma errata", escrito por Luiz Weis para o Observatório da Imprensa. O jornalista expõe estranhas condutas da Folha de S.Paulo ao tratar de um artigo sobre Henry Sobel.
No dia 1º de abril, a Folha publicou um artigo do historiador Jaime Pinsky que começava assim:

"Conheci o rabino Sobel no enterro de Vladimir Herzog, o Vlado."

Duas edições depois, o jornal saiu com a seguinte errata:

A primeira frase do artigo "O rabino Sobel e o Brasil" estava errada. Em vez de "Conheci o rabino Sobel no enterro de Vladimir Herzog, o Vlado", o correto é "na época do enterro". O rabino Henry I. Sobel não esteve presente no enterro.

Ao que se saiba, nem a Folha, nem outros jornais brasileiros têm o cuidado de checar os fatos em artigos de colaboradores das suas páginas de opinião.

O New York Times, por exemplo, checa. Se um articulista convidado escrever na sua op-ed page [a página oposta à dos editoriais] "Colombo descobriu a América em 1592 e isso foi uma tragédia", o checador substituirá a data errada por 1492, deixando intacto o resto, por ser uma questão de ponto de vista.

Se, por inadvertência do checador, o 1592 passar batido, o jornal assumirá a responsabilidade pela falha quando publicar a correção.

Por isso mesmo o "Erramos" da Folha soou estranho. Emendou um equívoco de um articulista externo, como emenda, quando o faz, equívocos em textos de seus repórteres, redatores e colunistas.

Só que a errata tem uma história que não chegou aos leitores do jornal.

Começa com uma carta que o jornalista Rubens Glasberg enviou ao "Painel do Leitor". Dizia:

"O historiador Jaime Pinsky deve estar confundido quando diz em seu artigo de domingo nesta página que conheceu o rabino Sobel no enterro de Vladimir Herzog. Ele deve ter visto Sobel pela primeira vez na Catedral da Sé, ao lado de D. Paulo Evaristo Arns, que foi quem liderou a organização do culto ecumênico reunindo pela primeira vez uma multidão contra a barbárie da tortura durante o regime militar no Brasil.

No enterro de Herzog e anteriormente no velório no necrotério do Hospital Albert Einstein nenhum rabino se fez presente. Cerca de duas centenas de pessoas acompanharam o corpo do jornalista ao Cemitério Israelita do Butantã, onde a cerimônia religiosa do enterro contou apenas com a presença de um cantor litúrgico.

No caso Herzog, Sobel só projetou seu nome no culto da Sé. Evitou depois prestar qualquer depoimento no processo movido pela família de Vlado contra a União, onde poderia esclarecer de vez a decisão de enterrar ou não o corpo no local do cemitério reservado aos suicidas. Estive no enterro e acompanhei o início do processo como editor de "Política" da Folha.

Se Pinsky, como diz, conheceu Sobel num enterro, não foi no de Vladimir Herzog."

Eis uma carta que a boa técnica jornalística mandaria publicar na íntegra, porque, no seu penúltimo parágrafo, vai muito além da ausência do rabino no enterro de Herzog, oferecendo uma outra visão da conduta do religioso ao longo do caso.

Admita-se, para argumentar, que a Folha publicasse uma versão reduzida da carta, por razões de espaço. Mas o jornal, em vez de publicá-la, preferiu a via torta de arquivá-la e de assumir um erro que não era seu.

A história continua. Desconfortável, Glasberg tornou a escrever - dessa vez para o ombudsman da Folha:

"Enviei na segunda-feira (02/04/07) uma carta ao "Painel do Leitor" sobre o caso Sobel.

A carta não foi publicada e em seu lugar no dia 03/04/07 saiu uma notinha na seção "Erramos".

A minha carta não se refere apenas ao equívoco de um historiador. Ela tenta colocar as coisas em seu verdadeiro contexto no momento em que está em andamento uma verdadeira campanha "salvem o rabino Sobel".

Não considero ética a solução encontrada pela Folha para livrar a cara de mais uma figura (um historiador) que tentou pegar carona no caso Herzog, ainda não relatado em todos os seus pormenores.

Sobre Sobel, nesse episódio, pode-se hoje seguramente dizer o seguinte:

1) Nem ele e nenhum outro rabino estiveram no velório e no enterro. D. Paulo Evaristo foi ao velório e manifestou surpresa pela ausência de um rabino.

2) Houve pressões para que o cardeal não organizasse depois o culto ecumênico na Sé. O rabino Sobel, segundo testemunhas, estava entre os que não queriam a cerimônia pública.

3) O culto ecumênico saiu pelo empenho e determinação do cardeal.

4) O rabino Sobel acabou comparecendo ao ato (o que, sem dúvida, foi prova de coragem) e lá fez seu nome no Brasil e ganhou notoriedade internacional.

5) Apesar de procurado depois pelos advogados da família Herzog, ele não prestou depoimento no processo movido contra a União.

Quero ressaltar que o comportamento do rabino e dos demais líderes da comunidade judaica na época não diferiram em nada do comportamento do resto da sociedade brasileira. Todos tinham medo, muito medo. Médicos não-judeus que viram o corpo de Vlado também calaram. Vale lembrar ainda que muitos brasileiros originários da comunidade judaica foram assassinados na luta contra a ditadura ou perderam preciosos anos de sua juventude na prisão e no exílio.

Acho importante, como jornalista que ainda sou, tentar ter uma visão objetiva dos fatos e colocá-los em sua real dimensão.

Anexo o texto da minha carta, ignorada pela Folha, e a nota do "Erramos" sobre o artigo publicado em 1º de abril, curiosamente no Dia da Mentira."

Nenhuma das cartas foi respondida.

“Gastos com publicidade é 300% maior do que com educação infantil”

Enquanto gasta R$ 6,5 milhões com publicidade, a Prefeitura de Cuiabá investe apenas R$ 1,8 milhão em educação infantil. Esta constatação foi feita pelo vereador Lúdio Cabral (PT) com base no relatório de gestão fiscal do último quadrimestre de 2006, apresentado pela prefeitura durante audiência pública realizada na Câmara na manhã desta quarta-feira (11.04).

De acordo com o relatório, a previsão de recursos para educação infantil, aprovado pela Lei Orçamentária Anual- LOA/2006 era de R$ 10,5 milhões. A prefeitura aplicou apenas R$ 1,8 milhão. Por outro lado em publicidade a LOA previa inicialmente 2 milhões, valor que foi triplicado, atingindo um gasto de R$ 6,5 milhões.

“Os números indicam o que tem sido marca e é prioridade para este governo do PSDB. Enquanto multiplica os gastos com publicidade, aplica menos de 19% do valor previsto na dotação anual para educação infantil, e ainda afirma ter mania de educação” critica Lúdio.

Responsabilidade dos municípios, a educação infantil é desenvolvida em creches e pré-escolas atendendo crianças de 0 a 6 anos de idade. Em Cuiabá, há uma grande demanda reprimida por falta de vagas nas creches, em particular, filhos de trabalhadoras que necessitam do ingresso a essas unidades educacionais. No ano passado, a situação foi agravada com irregularidades nos repasses para creches filantrópicas e outros problemas, como falta de merenda nas creches municipais.

A audiência pública realizada hoje atende a uma determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal que obriga o poder executivo a prestar contas das metas fiscais do município a cada quatro meses. As audiências devem ser realizadas nos meses de fevereiro, maio e setembro.

Edna Pedro (Assessora de Comunicação do vereador Lúdio Cabral - PT)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A fala da ministra e a "minoria branca perversa"

Deu no www.vermelho.org.br

Por Olívia Santana*Ele disse: “ O problema da violência no Estado só será resolvido quando a minoria branca mudar sua mentalidade(... ). Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa”. Ela disse: "A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”. O que ambos têm em comum?
A primeira declaração foi dada pelo ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, durante a grave crise que abalou a capital paulista em maio de 2006 e pôs em xeque a segurança pública no Brasil. A segunda foi dada pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em recente entrevista a BBC-Brasil, que teve como tema as celebrações dos 200 anos de proibição do trabalho escravo no Reino Unido.
Duas trajetórias distintas
Sem dúvida Cláudio Lembo e Matilde Ribeiro são duas figuras de trajetórias de vida e de formação política distintas. Ele é um homem branco que se auto-define pequeno-burguês, e que sempre serviu a projetos políticos conservadores neste país, desde a ditadura militar. Foi membro da Arena, que virou PFL e atualmente se travestiu de Democratas.
Ela, mulher negra, de origem pobre, militante da luta anti-racista e vinculada a um partido de esquerda, o PT. O que ambos têm em comum? O fato de serem pessoas investidas de cargos públicos que, de alguma forma, meteram o dedo na velha ferida não cicatrizada da nação, o racismo como um dos elementos estruturantes dos graves problemas sociais.
Duas reações opostas
A fala de Lembo foi recebida com surpresa, muitos dos seus iguais ficaram desconcertados, enquanto que outros trataram de lembrar-lhe que ele era parte da elite que criticara. O senador ACM chegou a atacá-lo no velho estilo truculento que lhe é peculiar, chamando-o de “burro” e incompetente. Mas não ficou sem resposta. Lembo se referiu a ACM como "senhor de engenho" e disse que o senador retrata a elite branca, que trata os outros como se fossem lacaios.
No caso da Ministra Matilde, a reação de alguns intelectuais e articulistas não é só desproporcional. É, também, uma distorção intencional do conteúdo das suas declarações na tentativa forçosa de caracterizá-las como incitação ao ódio racial. Pode ter sido inadequada a formulação da resposta à pergunta feita pelo jornalista da BBC-Brasil. Decididamente não é “natural” o racismo de negros contra brancos nem de brancos contra negros. São sim construções políticas e culturais, que como tais precisam ser superadas. Mas o que a fala da ministra sugere é que não é o ideal que se apele a violências, destratos, marginalizações por inscrição racial, quer seja de brancos contra negros, quer seja de negros contra brancos, mas que tal estado de coisas acontece como reação de alguns a um processo de opressão e subalternização histórico.
Intenções subliminares
Não querer reconhecer isso é um desserviço à nação. O espanto dos ofendidos em nome de uma idealizada miscigenação harmônica e cordial bem ilustra intenções subliminares. Como se fossem paladinos da paz e da tranqüilidade das relações raciais à moda brasileira, os protetores do que já foi consagrado como “racismo cordial”, pedem a cabeça da ministra, exigem que ela entregue o cargo ou que o presidente Lula a demita.
Sob pretexto de que a fala da ministra traz um teor racista, os grandes jornais e revistas do país vêm questionando não só suas declarações, mas a própria política de promoção da igualdade racial que vem sendo implantada no Brasil, especialmente o programa de cotas para negros nas universidades e a titulação de terras de remanescentes de quilombos.
Portanto, há algo de podre no reino da Dinamarca, digo, nas nossas terras tropicais. E o que há é que aqueles que sempre se beneficiaram da perversa hierarquia racial e sócio-econômica solidamente erguida e ocultada sob o manto da miscigenação como sinônimo de democracia racial, morrem de medo de que os de baixo se movam, tomem consciência da opressão de que sempre foram vítimas.
Os que sangraram sob aquarela
É fato que a história desse país precisa ser reescrita. Sobre este solo precisa se erguer novas relações sociais verdadeiramente não racializadas. Negros e indígenas precisam ser incluídos como sujeitos políticos de um novo projeto de nação, onde a diversidade seja compreendida como um elemento de valorização e não de subalternização de uma parcela, para efeito de dominação econômica, cultural e política por parte de uma outra parcela, aquela que atravessa a história perpetuando-se nos espaços de poder e alto prestígio social através de sucessivas gerações.
Lamentavelmente para alguns ou, talvez, para muitos e, principalmente, os que dominam o poder da divulgação de idéias, como a mídia e os alçados por essa como os intelectuais de plantão sobre a questão racial—um processo de conscientização de negros e de muitos brancos sobre a possibilidade de um país mais humano já está em curso. As demandas por políticas afirmativas bem ilustram tal processo por um outro projeto, não bicolor, mas que decola do reconhecimento da real diversidade de povos que construíram o país, especialmente os que sempre sangraram sob a aquarela, sem jamais experimentarem a delícia do reconhecimento e da igualdade real de direitos.
* Vereadora (PCdoB Salvador), dirigente da Unegro (União dos Negros pela Igualdade)

terça-feira, 10 de abril de 2007

Apenas 2,5% dos bispos da Igreja Católica no Brasil são negros

Deu no www.vermelho.org.br

Dos 434 bispos no Brasil, 11 são negros, que representam apenas 2,5% do episcopado brasileiro, segundo dados da Pastoral Afro-brasileira da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Números compilados pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), órgão da CNBB, mostram que há mais estrangeiros do que negros entre os bispos no País.

Os estrangeiros representam 21% do total de bispos, um percentual mais de oito vezes superior ao de negros. Enquanto os negros são minoria em cargos importantes, a imigração anglo-saxônica consolida-se como a maior produtora de religiosos para o alto escalão católico.

Entre os oito cardeais brasileiros, quatro têm origem alemã e dois têm parentes italianos. Mas não há nenhum negro no grupo. "É uma realidade problemática no perfil racial do nosso episcopado, cujo padrão étnico se choca com o da população brasileira", disse à BBC Brasil o padre José Oscar Beozzo, coordenador do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular, especialista em história eclesiástica da América Latina.

Segundo o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), 45% dos brasileiros são negros.

Discriminação antiga

A face discriminatória do catolicismo com os negros no Brasil é antiga. A igreja, as confrarias e as ordens religiosas foram grandes proprietárias de escravos durante a colônia e o império.

Enquanto os abolicionistas lutaram pelo fim da escravidão desde a Independência do Brasil, em 1822, a Igreja Católica só divulgou a encíclica do papa Leão XIII condenando a escravidão em junho de 1888, um mês depois da Abolição.

Nas primeiras décadas do século passado, a discriminação permaneceu, com os seminários brasileiros vetando a entrada de noviços negros e mulatos.

Somente alguns anos depois da aprovação da Lei Afonso Arinos, em 1951, punindo todas as atitudes de discriminação racial, as congregações religiosas tiraram oficialmente de seus estatutos e normas internas a proibição de acesso para os negros.

"Houve uma época em que os negros tinham dificuldades em ingressar nas congregações religiosas", lembra dom Gílio Felício, bispo responsável pela Pastoral Afro-brasileira da CNBB".

"Depois que isto acabou, ficaram os condicionamentos. Hoje, o País conta com cerca de mil padres negros. O número diminuto deles acaba determinando esta pequena presença de afrodescendentes no episcopado", acrescentou o bispo.

"Influência de candomblé"

Para Antônio Wagner da Silva, bispo de Guarapuava, no Paraná, o baixo percentual de negros na Igreja reflete um problema enfrentado por toda a sociedade.

"O número de afrodescendentes não é pequeno apenas no episcopado brasileiro. É assim nos altos escalões das Forças Armadas e também do governo", diz dom Wagner. "As oportunidades restritas no acesso às escolas, às universidades e à formação de sacerdotes e religiosos pode ser uma das razões para este quadro discriminatório".

Segundo o bispo, muitos na Igreja não assumem o fato de serem afrodescendentes por medo de preconceito. "Um italiano pode formar seu grupo de danças, por exemplo. Alemão pode, polonês pode, ucraniano pode, português pode, todo mundo pode. Mas quando um grupo de negros se reúne e quer fazer suas danças, isso se torna um escândalo. Passa como atrevimento, como influência de candomblé", disse o bispo à BBC Brasil.

"Dom Zumbi"

No pequeno grupo dos bispos negros, dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba, de 88 anos, é uma referência. Por conta de sua atuação na luta contra o racismo, ele ficou conhecido como dom Zumbi.

"Somos muito gratos a ele", disse dom Gílio Felício, primeiro e único bispo negro gaúcho. "Ele foi um dos pioneiros na organização do clero afro-brasileiro a denunciar a discriminação e a alertar os bispos sobre a necessidade de a Igreja dar mais atenção aos negros".

Conforme números da CNBB, o País conta hoje com 18.685 sacerdotes. Destes, 15.882 são brasileiros e 2.803 são estrangeiros. Os negros representam apenas 6,3% dos padres nascidos no Brasil.

Apesar da presença dos afrodescentes no clero brasileiro ainda ser insignificante, a situação está mudando. Pelo menos, é o que acredita dom João Alves dos Santos, nomeado bispo de Paranaguá pelo papa Bento XVI no final do ano passado.

"Pouco antes de ser informado da nomeação, um amigo teólogo me avisou que eu seria bispo e um dos motivos era por eu ser negro", disse. "Acredito que a nomeação é um reconhecimento ao meu trabalho na formação dos seminários e nas missões populares. Mas, também, um reconhecimento à igreja da base, aos povos nativos e afrodescendentes".

Dom João está otimista. Ele acredita que a sua nomeação deva virar uma tendência. "A realidade do Brasil, do nosso povo, é de uma grande miscigenação", disse. "O grupo de afrodescendentes no episcopado brasileiro só tende a aumentar".

Outra traço importante na Igreja Católica brasileira é a localidade de nascimento dos integrantes da arquidiocese brasileira. Os estados do sul são os que mais contribuíram, com quatro cardeais no total, dois do Rio Grande do sul (Cláudio Hummes e Aloísio Lorscheider) e dois de Santa Catarina (Paulo Evaristo Arns e Eusébio Oscar Scheid). Veja a lista abaixo com o nome e o local de nascimento, além da arquidiocese de cada um dos oito cardeais brasileiros).

Cardeal Eugênio de Araújo Sales (nascido em Acari - RN)Arcebispo Emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro

Cardeal Paulo Evaristo Arns (nascido em Criciúma, SC)Arcebispo Emérito de São Paulo

Cardeal Aloísio Lorscheider (Estrela - RS)Arcebispo Emérito de Aparecida (SP)

Cardeal José Freire Falcão (Ererê - CE) Arcebispo Emérito de Brasília

Cardeal Serafim Fernandes de Araújo (Minas Novas - MG)Arcebispo Emérito de Belo Horizonte

Cardeal Geraldo Majella Agnelo (Juiz de Fora - MG)Arcebispo de São Salvador da Bahia

Cardeal Cláudio Hummes (Montenegro - RS)Arcebispo de São Paulo

Cardeal Eusébio Oscar Scheid (Luzerna - SC)Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

domingo, 8 de abril de 2007

Festival de erros com a vírgula

É sempre assim. Todo ano é escancarado o festival de erros com vírgula. Acontece o ano inteiro, em especial com as saudações em anúncios de jornal e em out-door, mas continua frequente por aí. Para agravar ainda mais a situação, são anúncios de veículos de comunicação e, pasmém!, de escolas e universidades.
O aniversário de Cuiabá, então, é um dos períodos em que o festival de erros com a vírgula mais acontece. Ou melhor, a falta dela, onde é necessário.

Tutty Vasques: Por que contar piada sobre Henry Sobel

Reproduzo ótimo texto de Tutty Vasques, publicado em No Mínimo (www.nominimo.com.br). Ele rebate críticas contra as piadas sobre a polêmica em torno dos devaneios e ladroagens de Henry Sobel, o líder judeu mais conhecido no Brasil.

Da piada à piedade

Não sei pra que bandas vocês têm andado, mas onde passo as conversas sobre caos aéreo, milésimo gol, Preta Gil e Gianecchini lá pelas tantas mudam abruptamente de direção, convergindo sempre para o mesmo assunto: “E o rabino, hein, rapaz, que coisa!”

Daí para frente segue-se um ritual que vai do sentimento de piedade que Henry Sobel inspira em todos nós, homens de bem, até gargalhadas impiedosas com as piadas que o ocorrido em Palm Beach desencadeou em série avassaladora. Todo mundo tem uma pra contar. Sabe aquela que associa roubo de gravatas aos crimes do colarinho branco? E aquela outra sobre entregar o rabinato depois de pego em flagrante?

Não tem jeito: sempre que uma desgraça ou infortúnio se abate sobre alguém importante, respeitável e exemplar, o brasileiro vive essa esquizofrenia de rir e de chorar compulsivamente com a tragédia humana inesperada.

Pode ser só uma reação nervosa ou, talvez, não haja nada muito estranho em sofrer sem perder o bom humor. Tancredo Neves e Ayrton Senna, só para citar dois casos muito mais comoventes que o de Henry Sobel, mergulharam o Brasil num mar de lágrimas e anedotas sem precedentes. Ou não?

O que é uma piada?

Daí a pensar que as piadas sobre Senna e Tancredo eram fruto de mentes desinformadas sobre grandes personagens da História, francamente, isso é coisa de gente que não sabe o que é humor.

Piada não é coisa reservada a sujeitos de maus antecedentes ou a cretinos de toda ordem. Piada não é castigo, punição ou forra. As pessoas viram piada porque se prestam a isso. Graça não é invenção de humorista, cujo maior talento deve ser enxergar o engraçado para mostrar que nada é tão sério que mereça nossa tristeza mórbida.

Num país onde qualquer safado de gravata vira herói depois de morto, não é de se estranhar que os falsos moralistas estejam à solta para exigir mais respeito com Henry Sobel. Como se piada fosse desrespeito. Já disse que isso é coisa de gente que não sabe o que é humor, mas não é só isso.

Ao promover a defesa do que não é atacado – a honra, o passado, a religiosidade e o humanismo do rabino –, a turma que anda por aí se fingindo indignada com o que dizem à boca pequena sobre o efeito colateral dos remédios contra insônia advoga a criação de um tipo de casta imune a brincadeiras.

“A última da Hebe Camargo”

Se eu não posso fazer piada com quem lutou contra a ditadura nos anos 70, não devo brincar, por exemplo, com o presidente Lula, só para citar um caso muito mais célebre de militância política do que o companheiro Sobel. Se eu não posso fazer piada com alguém que provavelmente esteja agindo sob efeito de remédios tarja preta, cacilda!, vou perder também o Suplicy.

Se eu não posso fazer piada com judeus, nem o Gerald Thomas vou poder mais ridicularizar, caramba! Vai chegar o dia em que só vão me restar as louras. Sabe a última da Hebe Camargo?

Tenho lido coisas estarrecedoras a respeito da forma como devemos nos comportar sobre essa história das gravatas em Palm Beach. O ator José de Abreu jura que não encabeçou, como deu nos jornais, mas subscreveu o manifesto que classifica o ocorrido com Henry Sobel como a prova definitiva de que “todos somos humanos”.

Falta ainda explicar que diabos quis dizer nessa entrevista ao site Ego: “Sem discutir o mérito da questão, se ele roubou ou foram remédios que levaram ao ato, não interessa! O importante é o que ele já fez pelo Brasil, inclusive em função do comunismo no país." Como dizia Shakespeare, ter sido ou não ter sido, eis a questão!

Maluf

Outra que deu seu testemunho, Vera Fischer foi comovente: “Deslizes podem acontecer com qualquer pessoa”. Palavra de especialista. No caso dela, talvez por ser loura e nada ter feito contra a ditadura, quando acontece algo assim todo mundo pode brincar à vontade.

Henry Sobel também é louro e, apesar do corte chanel, nem com seu penteado aceitam-se brincadeiras. Por muito menos, aliás, arruma-se briga com Deus e o mundo. Dia desses achei que poderia ter alguma graça dizer que “Maluf teria tomado uma overdose do remédio de Henry Sobel…” Pra quê? O leitor Almir Ammari percebeu o seguinte nas minhas intenções:

“Tudo bem que o SR.MALUF tem problemas, mas justamente por ser de origem árabe você o escolheu nesta hora contra um judeu? Lamentável. Reflita melhor antes de qualquer comentário.OBS: Não sou parente do SR. MALUF e nem o conheço.”

Leitor, vocês estão carecas de saber disso, é assim mesmo: cada um entende de um jeito e vamos em frente. Os que entendem a piada do jeito que se pretende contar produzem outras, igualmente desprovidas de preconceitos. Que mal pode haver nessa aqui, que me foi enviada por Edilson Moura Pinto?

“Henry Sobel é o candidato ideal para presidente do Brasil em 2010. Já provou, inclusive, que não sabe roubar.”

O humor judaico

Outro leitor, Esteban Vianna, me ajudou a tirar da cabeça as minhocas do preconceito que movem uns e outros a pensar. O texto abaixo é dele e explica perfeitamente por que tenho feito e vou continuar fazendo humor com o caso Henry Sobel:

“Para além da religião monoteísta, do humanismo, do monte de filósofos, artistas e cientistas, acho que a principal contribuição dos judeus para a humanidade foi o humor – implacável, auto-depreciativo, irônico e inteligente. O humor é parte indissolúvel da identidade judaica.”

Talvez não tenha nada a ver, mas me vem à cabeça a célebre resposta de Seinfeld a um padre no confessionário. O humorista foi à igreja para se queixar que um membro daquela congregação – péssimo contador de piadas – tinha se convertido ao judaísmo só para poder contar, sem culpas, piadas de judeus. O padre, intrigado, perguntou-lhe: “E isso o ofende como judeu, meu filho?”.

“Não, isso me ofende como humorista.”

Tutty Vasques

Parabéns, Cuiabá


Parabéns, minha Cuiabá! Minha cidade adotada, dotada de muito calor, especialmente o humano. Pena que seu rio, que suas ruas, que seus riachos e sua vida está cada dia mais sem vida. Mas de qualquer forma, não consigo viver longe daqui.

Recomeço por aqui

Recomeço a publicação do meu blog, mudando de endereço. Fiquei por muito tempo parado, mais por preguiça mesmo de atualizar o outro blog, mas também porque não o achava interessante. Agora, sugerido por um amigo, passo a usar este espaço. O achei mais atraente. Além de ser bem mais prático d administrar. Quem sabe isso me motive a escrever mais. Assuntos não faltam. Mas também a falta de tempo é um pequeno problema. Vou tentar superar a todos.