sábado, 26 de janeiro de 2008

Uri Avnery: Bloqueio de Gaza é "pior que crime"


PARECEU a queda do muro de Berlim. Não ‘pareceu’, apenas. Por um momento, o cruzamento em Rafah foi o Portão de Brandenburg.

É impossível não se emocionar quando a multidão de oprimidos e famintos rompe um muro que os impede de avançar, olhos brilhantes, todos se abraçando –, emocionar-se muito, mesmo que se saiba que foi nosso governo, o governo de Israel, que construiu aquele muro.

A Faixa de Ghazaa é a maior prisão da Terra. Abrir uma passagem no muro, em Rafah, foi um ato de libertação. Provou-se que políticas desumanas são sempre políticas de estupidez: nenhum poder conseguirá jamais conter uma multidão que já tenha cruzado a fronteira do desespero absoluto.

Esta é a lição de Ghazaa, janeiro, 2008.

CABERIA AQUI a frase famosa do estadista francês, do tempo de Napoleão I, Boulay de la Meurthe[1], com pequena adaptação: “É pior que crime de guerra: é uma estupidez!”

Há vários meses, os dois Ehuds – Barak e Olmert – impuseram um bloqueio à Faixa de Ghazaa e vangloriaram-se muito. Depois, foram apertando o nó mortal cada vez mais, até que já praticamente nada entrava na Faixa. Semana passada tornaram absoluto o bloqueio – nem comida, nem remédios. As coisas chegaram ao paroxismo quando suspenderam também o fornecimento de combustíveis. Grandes áreas de Ghazaa ficaram sem eletricidade – para as incubadoras para bebês prematuros, para máquinas de diálise, para bombas de água e para evacuar esgotos. Centenas de milhares de pessoas ficaram sem calefação, sob frio intenso, sem poder cozinhar, sem o que comer.

Vezes sem conta a Rede Aljazeera levou aquelas imagens para milhões de lares em todo o mundo árabe. Muitas outras redes de televisão exibiram as mesmas imagens. De Casablanca a Aman, explodiram protestos de massa nas ruas que assustaram os regimes árabes autoritários. Hosny Mubarak telefonou em pânico para Ehud Barak. Na mesma noite, Barak foi obrigado a suspender, pelo menos temporariamente, o bloqueio que, desde a manhã, impedia a entrega de combustível na Faixa. Exceto por isto, o bloqueio continuou total.

Difícil imaginar ato político mais estúpido.

A RAZÃO apresentada para matar de fome e frio 1,5 milhão de seres humanos confinados num território de 365 km2 é o continuado bombardeio de foguetes Qassam sobre cidade de Sderot e arredores.

É razão cuidadosamente pensada para unir o que há de mais primitivo e o que há de mais pobre na opinião pública em Israel. Faz calar as críticas que viriam da ONU e de governos em todo o mundo que, de outro modo, protestariam contra uma punição coletivamente aplicada a populações civis que, sem dúvida alguma, configura crime de guerra nos termos da lei internacional.

Apresenta-se ao mundo um quadro simplificado: o regime de terror do Hamás lança mísseis contra inocentes civis israelenses. Nenhum governo pode tolerar que seus cidadãos sejam bombardeados dentro de suas fronteiras. O exército de Israel não tem resposta militar para enfrentar os foguetes Qassam. Portanto, não lhe resta outra saída além de pressionar a população de Ghazaa, na esperança de que se levante contra o Hamás e faça parar o bombardeio de Qassams.

No dia em que Ghazaa ficou totalmente sem eletricidade, os correspondentes militares israelenses festejaram: só dois foguetes Qassams foram disparados de dentro da Faixa. Então o bloqueio funciona! Ehud Barak é um gênio!

No dia seguinte, com 17 Qassams lançados contra Israel, a alegria sumiu. Políticos e generais israelenses estavam (literalmente) frenéticos, fora de si: um político propôs “ações mais loucas que as deles”; outro propôs "bombardear a área urbana de Ghazaa indiscriminadamente, a cada Qassam disparado", um famoso professor (conhecido por ser ligeiramente perturbado) propôs que se adotasse "o mal absoluto".

O modo de atuar do governo israelense é hoje uma repetição do que já fizeram na Segunda Guerra do Líbano (espera-se para os próximos dias a publicação do relatório sobre aqueles dias). Daquela vez: o Hizbullah capturou dois soldados israelenses, em território de Israel. Hoje: o Hamás bombardeia casas e cidades em território de Israel. Daquela vez: precipitadamente, o governo decidiu entrar em guerra. Hoje: precipitadamente, o governo decidiu impor bloqueio total. Daquela vez: o governo ordenou bombardeio massivo contra civis, para pressionar o Hizbullah. Hoje: o governo ordena o massacre, pela fome e pelo frio, de população civil, para pressionar o Hamás.

Os resultados são os mesmos, nos dois casos. Daquela vez: a população não se levantou contra o Hizbullah; aconteceu exatamente o contrário: pessoas de todos os credos e grupos religiosos reuniram-se numa mesma organização xiita. Hassan Nasrallah tornou-se herói de todo o mundo árabe. E hoje: a população cada vez mais unida num Hamás cada vez mais forte, acusa Máhmoude Abbás de colaborar com o inimigo. Uma mãe que não tenha comida para dar aos filhos não maldiz Ismail Haniyeh. Ela maldiz Olmert, Abbas e Mubarak.

ENTÃO, o que fazer? Afinal de contas, não se pode tolerar o sofrimento dos habitantes de Sderot, que vivem sob fogo constante.

O que todos ocultam da opinião pública é que é possível fazer parar o bombardeio de Qassams amanhã de manhã.

Há vários meses, o Hamás propôs um cessar-fogo. Esta semana, eles repetiram a mesma proposta.

Para o Hamás, cessar-fogo significa: os palestinos cessam o fogo de Qassams e morteiros; e o exército de Israel cessa as incursões em Ghazaa, os assassinatos por armas ‘inteligentes’ em alvos ‘selecionados’ e o bloqueio.

Por que o governo israelense não aceita imediatamente esta proposta?

É simples: para aceitar esta proposta, o governo de Israel tem de falar com o Hamás, direta ou indiretamente. Isto, precisamente, é o que o governo de Israel recusa-se a fazer.

Por quê? Outra vez, é muito simples: porque Sderot é apenas um pretexto – como também os dois soldados capturados foram apenas um pretexto – para coisa muito diferente. O objetivo geral de toda a ‘operação’ é derrubar o regime do Hamás em Ghazaa e evitar que o Hamás tome toda a Cisjordânia.

Em palavras simples e claras: o governo de Israel está sacrificando toda a população de Sderot, em nome de uma idéia de antemão condenada ao fracasso. O governo de Israel está muito mais interessado em pressionar o Hamás – que é, hoje, a cabeça de ponte de toda a resistência palestina – do que em proteger os habitantes de Sderot. E toda a mídia colabora para difundir a farsa.

JÁ SE DISSE que é muito perigoso escrever sátiras em Israel – porque muitas vezes a sátira torna-se realidade. Alguns leitores talvez lembrem de um artigo satírico que escrevi há alguns meses. Lá, descrevi a situação em Ghazaa como uma experiência científica para descobrir até que ponto conseguiríamos chegar, em matéria de matar de fome populações civis e fazer da vida humana um inferno... antes de termos de levantar as mãos e nos render, derrotados.

Esta semana, a sátira virou política oficial do Estado de Israel. Comentaristas respeitados declararam explicitamente que Ehud Barak e os chefes militares estão trabalhando na linha de “tentativa e erro” e mudam diariamente seus métodos conforme os resultados. Param de fornecer combustível a Ghazaa, vêem o que acontece e desfazem tudo quando a reação internacional é negativa demais. Suspendem o fornecimento de remédios, vêem o que acontece, etc. etc. O objetivo científico justifica os meios.

O homem encarregado deste experimento é o Ministro da Defesa, Ehud Barak, homem de muitas idéias e poucos escrúpulos, homem cujo modo de raciocinar é basicamente pré-humano. Ehud Barak é hoje, provavelmente, o ser mais perigoso que há em Israel, mais perigoso que Ehud Olmert e Binyamin Netanyahu, perigoso até para a sobrevivência de Israel no longo prazo.

O homem encarregado de executar o experimento é o Comandante em Chefe do Exército de Israel. Esta semana, ouvimos os discursos de dois de seus predecessores no cargo, os generais Moshe Ya'alon e Shaul Mofaz, num fórum que teve as mais infladas pretensões intelectuais. Descobriu-se ali que ambos têm idéias que os colocam em algum ponto entre a extrema Direita e a ultra-Direita. São, os dois, homens de cabeça assustadoramente primitiva. Desnecessário desperdiçar sequer uma palavra sobre as qualidades morais e intelectuais do sucessor imediato de ambos, Dan Halutz. Se estas são as vozes dos três últimos Comandantes do Exército de Israel, o que dizer do atual, que não pode falar abertamente como os outros? Que maçã cairia muito longe da mesma árvore?

Até há três dias, os generais ainda podiam defender a opinião de que o experimento estaria dando certo. A miséria atingira o clímax na Faixa de Ghazaa. Centenas de milhares de seres humanos enfrentavam a fome total. O chefe da Agência de Apoio Humanitário da ONU para a Palestina (UNRWA) denunciou o risco de catástrofe humana absoluta. Só os mais ricos ainda tinham combustível para seus carros, para aquecer as residências e para cozinhar. O mundo não parou de girar e ouviu-se apenas um murmúrio planetário. Os líderes dos Estados árabes enunciaram frases ocas e não moveram um dedo.

Barak, que tem talentos matemáticos, podia até calcular o dia em que a população finalmente entraria em colapso.

E ENTÃO, de repente, aconteceu algo que nenhum deles previu, embora fosse o evento mais facilmente previsível do planeta.

Quando alguém põe 1,5 milhão de seres humanos numa panela de pressão e não pára de pôr fogo no palheiro, é certo que tudo explodirá. Foi o que aconteceu na fronteira entre Ghazaa e o Egito.

Primeiro, foi uma explosão pequena. Uma multidão juntou-se no posto de fronteira e os policiais egípcios abriram fogo. Houve dúzias de feridos. Foi um sinal de alerta.

Dia seguinte veio o grande assalto. Combatentes palestinos furaram o muro em vários pontos. Centenas de milhares de palestinos entraram em território egípcio e respiraram fundo. Estava quebrado o bloqueio.

Já antes disto, a posição de Mubarak era insustentável. Centenas de milhões de árabes, um bilhão de muçulmanos viram que o exército de Israel fechava apenas três pontos da fronteira de Ghazaa: pelo norte, pelo leste e pelo mar. O quarto ponto do bloqueio estava entregue ao exército egípcio.

O presidente do Egito, que se apresenta como líder de todo o mundo árabe foi exposto como colaborador numa operação desumana liderada por um inimigo, e apenas para obter os favores (e o dinheiro) dos norte-americanos. Seus inimigos internos, a Irmandade Muçulmana, exploraram esta situação e o denunciaram, publicamente, aos olhos de seu próprio povo.

Dificilmente Mubarak teria podido manter-se na posição em que estava. Mas a multidão palestina livrou-o da tarefa de decidir. Decidiram por ele. Os palestinos irromperam no Egito como um tsunami. Agora, Mubarak que decida quando sucumbirá completamente a Israel e reimporá o bloqueio contra seus irmãos árabes.

E quanto ao experimento de Barak? O que acontecerá agora? Barak tem poucas opções:

(a) Reocupar Ghazaa. O exército não gosta desta idéia. Para os comandantes militares, a reocupação exporá milhares de soldados israelenses a uma guerra de guerrilhas cruel, diferente de todas as intifadas conhecidas.

(b) Apertar novamente o bloqueio e pressionar Mubarak o mais possível, inclusive com o lobby israelense no Congresso dos EUA, para privá-lo dos bilhões que recebe anualmente em troca de serviços prestados.

(c) Fazer do castigo um prêmio, e entregar a Faixa de Ghazaa a Mubarak, como se este fosse o objetivo secreto de Barak, desde o começo. Passaria a ser tarefa do Egito garantir a segurança de Israel, evitar a chuva de Qassams e expor seus próprios soldados à guerra de guerrilhas na Palestina – depois de o Egito ter imaginado que se havia livrado definitivamente desta área de conflito, e depois de toda a infra-estrutura da Palestina ter sido destruída pela ocupação israelense. É provável que Mubarak responda: “É muita gentileza sua, mas, não, não, muito obrigado.”

O bloqueio da Faixa de Ghazaa é crime de guerra. E é pior que isto: é uma estupidez brutal.
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* Worse than a Crime, 25/1/2008, em Gush Shalom [“Grupo da Paz”], em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1199602046/. Copyleft. Tradução de Caia Fittipaldi. Reprodução autorizada pelo autor e pela tradutora.
[1] A frase famosa é “C'est pire qu'un crime, c'est une faute” (É pior que um crime: é um erro).
Obs.: No artigo acima, foram mantidas as grafias que a tradutora usou para nomes árabes como Gaza (Ghazaa), Rafá (Rafah), Cassam (Qassam), Hamas (Hamás), Hezbolá (Hizbullah) e outros.

Vazamento confirma falha na vedação

A resposta do secretário de Comunicação do prefeito Wilson Santos em relação ao vazamento no Museu do Morro da Caixa D'água Velha é contraditória. Ao mesmo tempo em que afirma que a empresa que executou a obra vinha monitorando a possibilidade de infiltrações e que o mesmo ocorreu após uma tromba d'água, diz que não houve vazamento.

Como não, se a infiltração está lá, é real e até os monitores orientam os visitantes a não utilizarem o espaço alagado?

A resposta tenta induzir que a execução da obra, por ser de uma empresa cuiabana, sob monitoramento do IPDU, não era de responsabilidade de Jaime Lerner. Era, sim, como foi amplamente divulgado. Ou ele veio aqui só para assinar uma franquia?

O fato é que os arquitetos cuiabanos, inclusive do IPDU, possuem inúmeros projetos para a valorização para a valorização dos espaços da cidade e que não são aproveitados por dirigentes públicos da laia de um Wilson Santos, que é do tipo que prefere valorizar o quevem de fora.

Vazamento confirma falha na vedação

Resposta do secretário de Comunicação do prefeito Wilson Santos é contraditória. Ao mesmo tempo que afirma que havia monitoramento por parte da empresa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Museu fazendo água - Maurélio Meneses responde


O professor e colega Maurélio Menezes - secretário Municipal de Comunicação - respondeu a post neste blog em que alerto sobre as infiltrações no Museu do Morro da Caiaxa D'água. Ele garante que a estrutura é segura e que o problema de infiltração é ocasional.
Confira o seu comentário...

ESTRUTURA DO MUSEU DA CAIXA DAGUA VELHA É SEGURA E PROBLEMA DE INFILTRAÇÃO É OCASIONAL

A empresa LF Construções Civis, cuiabana por excelência, que conduziu a restauração do Museu da Caixa D´Água Velha, transformando num dos principais espaços culturais de Cuiabá, já deu inicio aos estudos para minorar o problema de infiltração lateral do museu. Desde que foi inaugurada, em setembro do ano passado, a obra vinha sendo monitorada pela empresa para evitar quaisquer transtornos. O monitoramento se tornou necessário porque a antiga caixa d´água foi construída há 176 anos, em 1882, e na restauração teve-se o cuidado de se manter o máximo possível a estrutura original, uma obra de arte criada pelo então governador José Maria de Alencastro, que administrou Mato Grosso de 1831 a 1833. São três grandes vãos com arcos romanos e ogivais que serviam de reservatório para abastecimento de Cuiabá, no século 19. A água era captada no rio Cuiabá, pela hidráulica do porto, e chegava até a estação através de bombeamento, em canos que em alguns lugares tinham sido reaproveitados de espingardas. A distribuição foi planejada por gravidade.O projeto foi sugerido e planejado pelo arquiteto Jaime Lerner. Todo o seu desenvolvimento foi realizado pelo arquiteto de Cuiabá Márcio Puga, por técnicos do IPDU, sob supervisão e direção da arquiteta Adriana Bussiki Santos, presidente do IPDU e por técnicos da Secretaria Municipal de Infra Estrutura, e desenterrou do morro um amplo e arejado espaço subterrâneo. Na parte de cima do museu, preservou-se tudo o que foi possível. O cuidado foi tanto que inclusive foi construído no local um deck de madeira contornando uma grande ximbuva, árvore de 75 anos usada pelos ribeirinhos para a produção de viola-de-cocho, que precisou de atenção especial. A arquiteta Adriana Santos, presidente do IPDU, que acompanhou de perto toda a execução do projeto, explica que “toda a área verde foi preservada, até como forma de embelezamento natural do ambiente urbano”.Na quarta feira, dia 24, a tromba d’água que atingiu a capital colou os técnicos da LF Construções em alerta. Como estava previsto desde a restauração, houve infiltração lateral e imediatamente começou-se o planejamento para a solução do problema. De acordo com Wilson Figueiredo, um dos sócios da LF Construções Civis, não houve nenhuma falha na vedação e a estrutura não corre o menor risco. “As paredes laterais foram construídas em pedra canga numa época que nem existia cimento. A pedra canga é permeável e sempre que houver uma chuva forte haverá uma pequena infiltração lateral. O que estamos estudando agora é uma forma de diminuir esse problema, que não tem a menor influencia na estrutura da obra que é absolutamente segura.”Os projetos arquitetônicos complementares do Morro da Caixa D’Água Velha estão sendo coordenados pelos arquitetos Marta Cristina de Jesus e José Antônio Lambert, doutores da UFMT, com quem a Prefeitura de Cuiabá mantém diversos contratos de parceria nas áreas de arquitetura e engenharia. A restauração da Caixa D’Água Velha é apenas uma dentre as muitas obras arquitetônicas e de engenharia desenvolvidas pela Prefeitura de Cuiabá utilizando a mão de obra de profissionais de Mato Grosso, e em especial de Cuiabá. Entre as outras obras e projetos há, por exemplo, o Balneário da Ponte de Ferro, um projeto desenvolvido pelo arquiteto Ademar Poppi, com projetos complementares da arquiteta Paula Cardoso. Outro espaço cultural criado para os cuiabanos, e inaugurado em dezembro, é o Memorial da Água Engº José Luis Borges Garcia, projetado pelas arquitetas de Cuiabá Nancy Rabelo de Mello e Maria Eliane Dorileo Cardoso, que foram responsáveis também por outro grande projeto desenvolvido pela Prefeitura de Cuiabá, a reurbanização das três lagoas do CPA. O Projeto do Restaurante Popular foi elaborado e está sendo desenvolvido pela arquiteta Luciana Galan, formada pela UFMT , servidora do CEFET-MT. O Parque Governador Dante de Oliveira, espaço verde que será edificado no encontro do Ribeirão do Lipa com o rio Cuiabá, teve seu projeto doado pelo arquiteto Antônio Carlos Cândia. E a reurbanização do cais do Porto, local visitado na semana passada pela ministra do Turismo Marta Suplicy, tem seus projetos complementares sendo realizados pelo arquiteto José Costa Marques. A obra será realizada por meio de convênio com o MINT e mudará o visual do local. Um dos destaques será um anfiteatro construído sobre o rio Cuiabá, O desenvolvimento do projeto arquitetônico também foi realizado pela equipe do IPDU, à frente o arquiteto Márcio Puga sob direção da arquiteta Adriana Santos, presidente do IPDU. Todos esses projetos são realizados por meio de licitação, seguindo o que determina a legislação em vigor.
25 de Janeiro de 2008 13:39

Gaza, um grande presídio; Israel, carcereiro carniceiro

A Faixa de Gaza é hoje, mais ainda que em outros momento de acirramento do conflito entre palestinos e judeus, um grande presídio. E Israel, que vem provocando essa trajédia humanitária, é um carcereiro carniceiro, sanguinário.

Abertura da fronteira com o Egito aliviou um pouco a situação trágica dos menos de 1,5 milhão de seres humanos que vivem naquele minúsculo território. Há mais de dois anos Israel vem sufocando os palestinos na Faixa de Gaza, desde a chegada ao poder do Hamas.

Ali não entra um compromido ou uma agulha sequer para fazer uma sotura num ferido. O que dirá de uma aparelho para exames, centro cirúrgicos, e outros equipamentos hospitalares. Palestinos - em especial mulheres, crianças e idosos - estão morrendo por falta de atendimento médico.

Sem falar na escassez de alimentos, na falta de gás, combustíveis e outros gêneros necessários à sobrevivência. Os palestinos estão encarcerados e a situação é catastrófica. A ONU ensaia sanções a Israel, mas o histórico dos judeus em não respeitar decisões das Nações Unidas me leva a crer que a situação não vai se reverter, pelo menos a curto prazo.

Faixa de Gaza é um dos dois territórios onde estão confinados os palestinos que tiveram suas terras invadidas pelos judeus. O outro é a Cisjordânia. Ela é uma pequena faixa, encravada entre Israel, Egito e o Mar Mediterrâneo. São cerca de 360 km2, apenas menos de 10% do município de Cuiabá, que tem tem cerca de 3.550 km2.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Museu da Caixa D´Água está fazendo água


O Museu do Morro da Caixa D’água, aquele projetado e construído sob orientação do arquiteto tucano Jaime Lerner, importado pelo prefeito Wilson Santos, está fazendo água, literalmente. Mais da metade do museu está sofrendo vazamento e está com o piso alagado. Os visitantes não podem observar essa área alagada, orienta a monitora que atende no local.

Conversei com uma arquiteta que me informou que o vazamento é resultado da vedação mal feita e que, se providências não forem tomadas, podem comprometer a estrutura das galerias da velha caixa d’água. A olhos vistos é possível observar que a estrutura não é lá essas coisas. Além do mais, o alagamento parece comprometer as obras que estão expostas no museu.

Eu sempre fui prá lá de reticente em relação a essa história de contratar gente de fora para projetos de urbanismos em Cuiabá. Nada contra os profissionais de outros estados e países, mas é que eu assessorei por um bom tempo o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) – Seção de Mato Grosso e tive a oportunidade de conhecer a maioria dos profissionais que existe aqui e sei da competência deles. Além disso, fui assessor da Prefeitura de Cuiabá e convive muito com muitos arquitetos do IPDU, todos com excelente capacidade.

Por isso eu vejo que é descartável buscar profissionais em outros estados sendo que aqui os temos em quantidade e qualidade que não deixa a dever a ninguém lá fora. Recentemente uma exposição no Pantanal Shopping mostrou um pouco desse trabalho. Mais recente ainda, um desses arquitetos ganhou o prêmio de melhor do Brasil.

Então, vejo que essas contratações, tipo a do Jaime Lerner tem por trás outros motivos, além de ser uma total falta de respeito para com os profissionais locais. Aliás, um respeito do prefeito até com a sua própria esposa, pois ela que é arquiteta também.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Será que o Riva pegou algum rabo do Blairo?

Não sei, não, mas estou com uma leve desconfiança que o deputado José Geraldo Riva pegou algum rabo do governador Blairo Maggi na CPI da Sema. Essa Comissão Parlamentar de Inquérito que veio não sei de onde e foi parar ninguém sabe onde, não teve nenhum resultado prático a não ser cacifar ainda mais José Geraldo.

É um desses mistérios da política. Confesso que li e reli matérias e até tentei pegar o relatório final das investigações e não entendi direito para o que ela veio. No relatório final aponta-se uma série de procedimentos administrativos necessários, sugestões para ajustes na política ambiental e outro item aqui e ali. De substancial, carece. Fica a sensação de que foi muito barulho por nada. Cheguei a ouvir, durante as investigações, uma intervenção do José Geraldo na Assembléia Legislativa, apontando uma suposta irregularidade cometida pelo governador. Não passou de discurso.

Eu confesso com toda sinceridade, sem ter medo de ser chamado de puxa-saco, que sou fã do governador Blairo Maggi. Acho que ele foi e ainda continua sendo o novo na política mato-grossense, veio quebrar paradigmas, virou a política de cabeça para baixo, deixando as velhas raposas como Jaime Campos, Dante de Oliveira, Julio Campos, Carlos Bezerra, Antero Paes de Barros e seus aprendizes de feiticeiro a ver navios e apostando no seu fracasso político que não aconteceu.

Mas me admira o governador fazer tantas concessões e acenar com mais algumas para o PP de José Geraldo, Pedro Henry, Eliene Lima e Chico Daltro.O deputado do PP, manda-chuva na sigla, vem ampliando a cada dia seus domínios nas cercanias do governo Blairo Maggi. Sem nenhum motivo aparente os pepistas vão aos poucos pulando cercas e ocupando espaços com uma voracidade mais ensandecida que os mais afoitos militantes do MST.

O caso da extinção do Ceprotec (Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica) é prá lá de emblemático. O governador Blairo Maggi cedeu aos apelos insistentes do PP, com uma forcinha ainda inexplicável do secretário de Administração, Geraldo De Vitto, e sancionou projeto aprovado pela Assembléia na virada do ano, transformando o órgão em uma superintendência. Com a medida, engorda-se o orçamento da Secretária de Estado de Ciência e Tecnologia, à qual o Ceprotec é ligado. Uma medida que não tem pé nem cabeça, que nem mesmo o governador tem certeza que é a coisa certa e que sequer o próprio secretário Chico Daltro sabe, de agora em diante, o que fazer com a batata quente que chamou para suas mãos.

O curioso é que política e administrativamente o governador não precisava fazer isto. Será que ficou enfurecido com as insistentes investidas dos Geraldos, o Riva e De Vitto? Acho pouco, para quem conhece a índole do governador, um homem sério em suas posições que não se deixa dobrar sob qualquer pressão. E vem fazendo isso em outras áreas, dando margem – para alguns de seus auxiliares diretos, gente de sua base e até fora dela - a movimentações em direções antagônicas à sua conduta política até então.

A pergunta do título acima é apenas uma breve provocação para nos levar à meditação sobre algumas medidas que vêm sendo tomadas por Blairo Maggi e seus auxiliares nesse seu segundo governo. A impressão que fica é que parece que o governo está errando na mão.

Eu continuo apostando no governador, na sua seriedade, na sua honestidade, tanto como político como empresário. Mas confesso, Luiz Fernando Veríssimo, que não tenho vocação para ser herdeiro da falecida e saudosa Velhinha de Taubaté.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Que os ricos paguem pelo fim da CPMF

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) distribuiu nota na qual cobra que os ricos paguem a conta pelo fim da CPMF, defende o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e "as medidas anunciadas pelo governo que elevam a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e instituem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as remessas de lucros e dividendos das transnacionais". Confira abaixo a íntegra da nota, assinada pelo presiente d CTB, Wagner Gomes:

Que os ricos paguem pelo fim da CPMF

No momento em que o governo federal adota e anuncia medidas para compensar o fim da CPMF, que deve retirar cerca de R$ 40 bilhões do orçamento da União para 2008, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vem a público manifestar as seguintes opiniões:
1- Os ricos e não os pobres devem pagar a conta da CPMF;
2- São inaceitáveis medidas que venham a comprometer o reajuste do funcionalismo e as novas contratações indispensáveis para reaparelhar e fortalecer o Estado nacional;
3- Os investimentos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bem como as despesas sociais, devem ser preservados e ampliados;
4- As medidas anunciadas pelo governo que elevam a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e instituem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as remessas de lucros e dividendos das transnacionais merecem todo apoio da classe trabalhadora e do movimento sindical;
5- É hora de reduzir substancialmente o superávit primário, que em 2007 consumiu mais de 100 bilhões de reais, usando os recursos poupados para financiar o déficit provocado pelo fim do CPMF e aumentar gastos e investimentos públicos;
6- Chegou também a hora de regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, aumentar a taxação sobre heranças, assim como sobre remessas de lucros e dividendos;
7- É preciso unir e mobilizar a classe trabalhadora e o conjunto do sindicalismo nacional na luta contra o corte nos gastos e investimentos públicos, pelo fim do superávit primário e por uma reforma tributária progressiva e socialmente justa.
Não podemos esquecer que quem lutou com unhas e dentes contra o tributo sobre transações financeiras foram os banqueiros e grandes capitalistas, representados por entidades como a Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) e a Febraban (Federação Nacional dos Bancos). Promoveram panfletagens, atos públicos e até um show bilionário sem público na capital paulista contra a CPMF. Contaram com a cumplicidade e os votos do PSDB e DEM no Senado.
As entidades filiadas à CTB devem realizar campanhas de mobilização e conscientização nos Estados, junto às suas bases e ao povo, denunciando e desmascarando os senadores que subtraíram R$ 40 bilhões da saúde e dos gastos e investimentos públicos, defendendo o fortalecimento do Estado e do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação dos gastos e investimentos públicos e mudanças na política econômica.
A CTB, através do seu presidente, subscreve o abaixo assinado intitulado "Por uma reforma tributária justa", lançado por personalidades democráticas e lideranças dos movimentos sociais, e apóia ativamente a mobilização do funcionalismo público federal em defesa dos seus direitos e do cumprimento de acordos já negociados.
São Paulo, 11 de Janeiro de 2008.
Wagner Gomes
Presidente Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

domingo, 13 de janeiro de 2008

Será que com a CPI da Sema o Riva pegou o rabo do Blairo?

Só para a gente começar a refletir: será que com a CPI da Sema o Riva pegou com jeito o "rabo" do governador Blairo Maggi?
Fico aqui pensando com meus botões o tanto de concessões que o governador começa a fazer para o PP de José Geraldo Riva. O cara é danado, sabe se mexer e não deixa por menos...
É lamentável que Blairo começa a se igualar aos outors. Não guenta uma pressãozinha...
Só para reletir.